28 de setembro de 2008

A tia de Lecor

Faro, Vila Velha (Wikicommons)

Nas minhas andanças pelos arquivos deste nosso Portugal, ao mais frequente desalento e descortinar de becos sem saída, por vezes soma-se uma descoberta que abre um oceano de possibilidades.
Quem lê os meus humildes posts, saberá decerto que sobre Lecor há mais incorrecções e incertezas do que o seu contrário. É preciso pois escavacar os caminhos da memória que, ao longo dos 172 anos desde a morte de Lecor, tem sido inundado de vegetação espessa. Se não pode ser à catana, também não pode ser de luvinha branca.

Até recentemente, julguei que Louis Pierre Lecor, o pai de Carlos Frederico, havia vindo sozinho para Portugal. Um julgamento na verdade bem falível, pois apenas se baseou na falta de informação de outros Lecor.

Agora, no Arquivo Distrital de Faro, encontrei o óbito da tia paterna de Lecor, D. Senhorinha Rosária Lecor, solteira, falecida na Paróquia da Sé, a 26.10.1796.

Somado a isso, Acúrcio das Neves, afamado economista do início do século XIX, fala de um João Francisco Lecor, 'portuguez de nascimento' que teria apresentado, por voltas de 1760, uma proposta de indústria de botões fora do controle da guilda profissional.

Uma das possibilidades que sempre considerei, mas para as quais não tinha provas (nem circunstanciais) abre-se agora e pede pesquisa: Que Lecor é filho de um dos industrialistas europeus que inundaram (não tanto quanto necessário) o Portugal da segunda metade de setecentos, inseridos num esforço de modernização presidida pelo Marquês de Pombal.

Não me sentia assim desde que comecei a desconfiar que Lecor não havia nascido em Faro, mas em Lisboa. Ou que ele teria começado a sua carreira militar como soldado pé-de-castelo e não como cadete.

Vamos a ver, caro leitor, o que uma viagem aos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo poderá fazer por mim. É bom que faça algo, pois cada dia mais que passa, mais cresce em mim a biografia do nosso amigo Carlos Frederico Lecor. Possa a divina Clio conduzir a minha pena.

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