6 de março de 2009

A Situação da Beira Baixa há 200 anos - Parte II

No post anterior podemos ver qual a situação da Beira Baixa há 200 anos, vista por Lecor. Cumpre agora que vejamos a situação militar de Lecor por essa mesma altura, nomeadamente através da primeira grande formação que ele comanda, de Fevereiro a Junho de 1809.

A 20 de Novembro de 1808, quase 3 meses após ter retornado de Plymouth integrado na Leal Legião Lusitana, Carlos Frederico é nomeado Coronel do Regimento de Infantaria n.º 23, de Almeida.
No adro ainda ia o seu trabalho nesse regimento - buscando pô-lo em condições - quando se vê nomeado comandante da Beira Baixa, em 25 de Janeiro de 1809, mais precisamente Comandante da Divisão d'Observação da Beira Baixa, integrada no maior Exército d'Entre Tejo e Mondego (Tenente General António José de Miranda Henriques), juntamente com a formação-irmã, a Divisão d'Observação da Beira Alta (Marechal de Campo [hoje seria Major General] Bacelar).

Em finais de Março, a Divisão da Beira Baixa, como era tratada à guisa de diminutivo, tinha as seguintes forças, em duas linhas:



1.ª LINHA [Margem do rio Erges, a fronteira com Espanha]
Constituído inteiramente por 6 Companhias de Caçadores do Monte, com o complemento de 102 homens cada, totalizando 612. Este tipo de companhias eram formadas por Ordenanças voluntários ou escolhidos pelo excelente conhecimento do terreno da Raia.
Estando baseados em aldeias e vilas, formavam então a 1.ª linha, com a seguinte distribuição de efectivos, de Sul para Norte:

Malpica (50), Monforte (52), Rosmaninhal (102), Segura (102), Salvaterra do Extremo (102), Penagarcia (30) Aranhas (72) Guadrazães (102)

As Companhias de Caçadores do Monte eram formadas apenas em tempo de guerra, a partir de voluntários, sendo as patentes dos seus oficiais assinadas pelo comandante militar da região. A sua utilização em 1809 teve um precedente, em 1801, na Guerra das Laranjas, não só na Beira Baixa (que não viu acção), mas na Beira Alta e em Trás-os-Montes. Em 1801, Lecor era aliás Capitão Ajudante d'Ordens do Marquês de Alorna, na Legião de Tropas Ligeiras que guarneceu também este mesmíssimo teatro de operações.

2.ª LINHA [Margem do rio Pônsul]
Constituído pela Infantaria de linha, Caçadores e Regimentos de Milícia locais, perfazia 4,284 homens, distribuidos assim, também de Sul para Norte:

Cebolaes - Batalhão de Caçadores n.º 4 [486]
Castelo Branco - Batalhão do Regimento de Infantaria n.º 1 [194 efectivos]
& Regimento de Milícias de Castelo Branco [308]
Escalos de Baixo - Batalhão de Caçadores n.º 5 [227]
Idanha-a-Nova - Batalhão de Caçadores n.º 2 [366]
Idanha-a-Velha - Batalhão de Caçadores n.º 1 [552]
& Regimento de Milícias da Idanha-a-Nova [1,101]
Penamacor - Regimento de Milícias da Covilhã [1,050]

Cavalaria
3 Esquadrões, em Zibreira, Alcafozes e Idanha-a-Nova, cada um destes com pequenos destacamentos em 11 aldeias e vilas [370]

Artilharia
Uma Companhia de Caçadores do Monte, mais a sul, em Vila Velha do Ródão, com 102 homens, defendia uma linha de postos constituída por 58 artilheiros em quatro áreas, de Sul para Norte, Vila Velha, Perdigão, Talhadas & Muradal.

Esta Divisão estava posicionada essencialmente de forma defensiva, com os Caçadores do Monte servindo de piquetes altamente móveis, reconhecendo activamente. Mais para dentro, em torno do Quartel-General de Lecor em Idanha-a-Nova, estavam as unidades de linha e as Milícias, o grosso das forças.

(continua)

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