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31 de agosto de 2014

Combate de Zugarramurdi, 31 de agosto de 1813

 
Vista de Zugarramurdi e Ainhoa. Entre ambas as vilas,
a fronteira hispano-francesa. (Google Earth)


[de Carlos Frederico Lecor a Manoel de Brito Mozinho, secretário militar do Marechal General W. C. Beresford, reportando o segundo Combate de Zugarramurdi, a 31 de agosto de 1813, às ordens do General Lord Dalhousie, comandante da 7.ª Divisão aliada.] 

Illmo. Snr 

Tenho a honra de remeter a V Sª incluso o mappa dos mortos, feridos, e prezioneiros que teve a Brigada do meu Comm.do no dia 31 do mez passado no ataque que executei por ordem de Lord Darluze sobre o Povo de Zugaramurda na manhã do sobredito dia, do qual expulsei o inimigo e das alturas immediatas sofferendo os francezes mtº mais perda em officiais e soldados.

Huma Compª do Regimento n.º 7 avansou em flanqueadores; porem adiantandose mais do que devia o seu flanco direito, forão victimas do seu valor 1 sargento e 8 soldados, ficando involvidos por huma partida de Cassadores inimigos.
Não tenho que elogiar em particular indeviduo algum dos tres corpos que tenho a honra de commandar, pois todos fizerão o seu dever com igual sangue frio.

O Ten. Cor. Calheiros Command.te do regimento n.º 7 teve o seu cavallo ferido e portouse com todo o acerto; assim como o Cor. Doyle de n.º 19, e Ten. Cor. Zulque do Bam. n.º 2.º.

Dipois de o inimigo se ter retirado para o Campo do Povo de Anhoa fui rendido por huma Brigada da 3.ª Divisão, e tive ordem para marchar a Echelar, e hoje para Lesaca, aonde me acho com a brigada do meu Commando.

D.s gd.e a V S.ª m.s an.s
Campo de Lesaca, 1 de Setembro de 1813

Illmo. Sr. Manoel de Brito Mozinho

Carlos Fredº Lecor
M de C.



Arquivo Histórico Militar, 1-14-243-19


Combateram nesta ação os seguintes:
- Regimento de Infantaria n.º 7- 806 homens : Tenente Coronel Francisco Xavier Calheiros [Bezerra do Araujo];
- Regimento de Infantaria n.º 19- 986 homens : Coronel John Doyle;
- Batalhão de Caçadores n.º 2 - 466 homens: Major Zuhlcke

Nota: o Capitão John Ross, que comanda duas companhias de Infantaria 7 no dia 13, morre neste combate.

Lecor's report: 2nd Zugarramurdi (31st August 1813)

View of Zugarramurdi and Ainhoa. Between the villages,
the Spanish French border. (Google Earth)

[Carlos Frederico Lecor to Manoel de Brito Mozinho, military secretary of Marechal General WC Beresford, reporting the 2nd Zugarramurdi, August 31, 1813, as ordered by General Lord Dalhousie, commander of the 7th Division.]

Illustrious Sir

I have the honour to enclose Your Lordship the map of the dead, wounded, and prisioners that the brigade of my command had on the 31st last month in the attack I executed on orders of Lord Dalhousie [Darluze, in the original] over the village of Zugarramurdi [Zugarramurda, in the original] in the morning of the said day, from whence I expelled the enemy and from the neighbouring heights having the French suffered mush more loss in officers and soldiers.

One company from Infantaria n.º 7 advanced flanking; however, advancing more than they should on their right flank, 1 Sargent and 8 soldiers were victims of their valour, having become enveloped by a party of enemy chasseurs.

I have no one in particular to praise in the three corps I have the honour to command, as all have done their duty with equal cold blood [I chose to preserve the Portuguese idiom].
Lieutenant Colonel Calheiros, commander of the Regimento n.º 7 [Infantaria] had his horse wounded and acted correctly; as Colonel Doyle of the n.º 19 [Infantaria], and Lieutenant Colonel Zulchke [Zulque, in the original] of the n.º 2 [Caçadores battalion]

After the enemy retired to the fields os the village of Ainhoa [Anhoa, in the original] I was rendered by a brigade of the 3rd Division, and had orders to march to Echelar, and today to Lesaca, where I am with the brigade of my command.

May the Lord save you for many years
Field of Lesaca, 1 September 1813

Most Illustrious. Sr. Manoel de Brito Mozinho

Carlos Fredº Lecor
M de C.[Major General, Marechal de Campo in the original]


Source: Arquivo Histórico Militar, 1-14-243-19


Lecor’s  6th Portuguese Brigade, 7th Division [1.9.1813]:

- Regimento de Infantaria n.º 7- 806 men : Lieutenant Colonel Francisco Xavier Calheiros [Bezerra do Araujo];
- Regimento de Infantaria n.º 19- 986 men : Colonel John Doyle;
- Batalhão de Caçadores n.º 2 - 466 men: Major George H. Zulchke

Captain John ROSS, who commanded two companies from Infantaria 7 on the 13th, in the 1st Zugarramurdi, died in this action.

25 de maio de 2014

Do Douro a Toulose: A Porta Lateral

Igreja de Malhadas, em Trás os Montes.
"A Porta Lateral", Blogue Do Douro a Toulose, 25 de maio de 2013.
http://18131814.blogspot.pt/2013/05/a-porta-lateral.html (In English, here)

Acerca da passagem do Marechal de Campo Carlos Frederico Lecor por Malhadas, 10 km a ocidente de Miranda do Douro, e da sua brigada portuguesa da 7.ª Divisão, antes do início da campanha de Vitória, menos de um mês depois.

Coloco aqui especialmente um artigo acerca de Lecor, mas existem mais artigo interessantíssimos acerca das campanhas do exército Português em 1813 e 1814 no blogue original: Visitem e apoiem:

Do Douro a Toulose

13 de agosto de 2013

1.º Combate de Zugarramurdi, 13 de agosto de 1813

Zugarramurdi
18 dias antes do 2.º combate de Zugarramurdi, cujo relatório do Marechal de Campo Lecor transcrevi no post  respetivo, a mesma Brigada Portuguesa da 7.ª Divisão havia sido ordenada a atacar os franceses na vila basca. 

Segue o relatório que Lecor escreveu a Manuel de Brito Mozinho, secretário militar do Marechal Beresford. Talvez esta fonte primária possa ajudar a perceber as ações de 31 de agosto.


 Illmo. Senhor,


Tenho a honra de participar a V. S.ª para por na prezença do Illmº e Exmº Mar.al Marquez de Campo Mayor que tendo o Gen. Lord Darluze ordenado no dia 13 de tarde que duas Companhias do Regimento de Infantaria n.º 19 occupassem o Povo de Zugaramura, ao pôr do sol o inimigo atacou este Povo com forças mtº supperiores, e obrigou as ditas Compªs a evacuarem o dº Povo para evitarem ser envolvidas protegendo a sua retirada hum piquete do Batalhão de Cass.es n.º 2 perdendo hum e outro corpo os indeviduos q constão do mappa que remeto incluzo.

O inimigo teve de perda 2 officiaes e 5 soldºs mortos e 15 feridos.

O sobredº Povo achase ainda occupado com hum piquete francez.



Deus guarde a V. Sª muitos anos. Campo da 7.ª Divisão 15 de Agosto de 1813



Illmo. Sr. Manuel de Brito Mozinho



Carlos Frederico Lecor

M de C.

Arquivo Histórico Militar,  AHM 1-14-243-19


Participaram desta ação, os seguintes:
- Regimento de Infantaria n.º 19 - 190 homens : Capitão John Ross;
- Batalhão de Caçadores n.º 2 - 453 homens: Major Zuhlcke

18 de abril de 2013

Campanha de Vitoria, 1813 - Trajeto da 7.ª Divisão (4 a 21de junho)



Ver mapa maior


Percurso aproximado da Brigada Portuguesa, desde o dia 4/6/1813 a 15/6/1813, numerada 6.ª alguns meses depois, comandanda por Carlos Frederico Lecor,  constituída de 2 batalhões de Infantaria 7 (Setúbal) e 19 (Cascais), cada, e o Batalhão de Caçadores 2. A Brigada pertencia à 7.ª Divisão aliada, de Lord Dalhousie.
O itinerário foi feito com base nos Supplementary Despatches, Correspondence and Memoranda of Field Marshall Arthur Duke of Wellington, K.G., Volume VII, London, John Murray, 1860, editado pelo filho, 2.º Duque de Wellington, pp. 626-sg, disponível em linha em http://books.google.pt/books?id=c5QgAAAAMAAJ.


De 4 a 14 de junho, a 6.ª Divisão seguiu a 7.ª Divisão, no mesmo percurso, mas no dia 15, último dia do percurso agora mostrado, juntam-se a 7.ª e 6.ª à 3.ª Divisão (Picton). 
Durante muita da parte inicial do percurso, a 7.ª e 6.ª Divisão tiveram a Brigadas de Cavalaria do general Alten e a dos Hussardos (Grant) na sua vanguarda. A utilização da cavalaria era vital para o plano de Wellington no sentido de mascarar toda a infantaria de linha que avançava, escondendo-a dos franceses.

Itinerário 
4/6 - Gallegos [Vilarinho dos Galegos] > St. Salvador > Villasexmir
5/6 - Peñaflor [de Horniga] > Torrelobaton
6/6 - > Villalba [del Duero]
7/6 - Villalbla [del Duero] > Villamuriel [de Cerrato]
9/6 - > Tamarra [Támara de Campos]
10/6 - Tamarra > Itero de La Vega/Itero del Castillo
(Alto)
12/6 - > Villoleda
13/6 - > Olmillos [de Sasamón]/ Sasamón
14/6 - > Villadiego > Villanueva de Puerta
15/6 - > San Martin de Helines [Elines]
16/6 - > Villarcayo 


* * *



Ver mapa maior


16/6 - Villarcayo
18/6 - La Cerca > Salinas de Rósio > Castrobarto
19/6 - Castrobarto > Berberana
20/6 - Berberana > Guilerti [Gillarte] > Sta. Eulalia > Jocano [Jokano] > Apricano [Aprikano]
21/6 - > Anda > Los Guetos [Hueto Arriba & Hueto Abajo] > Mendoza > Vitoria

Este itinerário foi feito com base nos Supplementary Despatches, Correspondence and Memoranda of Field Marshall Arthur Duke of Wellington, K.G., Volume VII, London, John Murray, 1860, editado pelo filho, 2.º Duque de Wellington, pp. 626-sg, disponível em linha em http://books.google.pt/books?id=c5QgAAAAMAAJ.


Rumo ao bicentenário da Batalha de Vitoria. 1813-2013. 

14 de abril de 2013

Itinerários de Carlos Frederico Lecor - 1812

Jardim do Paço Epicospal, Castelo Branco (Wikicommons)

Intinerário de Lecor, 1812

Após um breve comando da futura 6.ª Brigada (Infantaria 7 e 19, 2 batalhões cada + Caçadores 2), pertencente à 7.ª Divisão, Lecor é nomeado, em abril de 1811, pela terceira vez, para o comando militar territorial na Beira Baixa, nomeadamente uma Divisão de Milícias, constituída pelos regimentos de milícias de Castelo Branco, Idanha e Covilhã (que ele havia comandando antes nas Linhas de defesa, na zona do Sobral/Alhandra).

1.1.1812 - Castelo Branco
26.1.1812 - Castelo Branco
4.2.1812 - Castelo Branco
5.2.1812 - Castelo Branco
24.2.1812 - Castelo Branco
25.2.1812 - Castelo Branco
15.3.1812 - Castelo Branco
16.3.1812 - Castelo Branco
6.4.1812 - Castelo Branco
7.4.1812 - Castelo Branco
11.4.1812 - Castelo Branco (retira nesse dia para Vila Velha, face à aproximação da 2.ª Divisão do Armé de Portugal, comandando por Clausel, e parte de uma incursão liderada por Marmont, que alguns chamam a 4.ª Invasão Francesa).

Nota: Em carta ao Lord Liverpool, Wellington refere o dia 12/4 como a data da entrada dos franceses em Castelo Branco e a retirada ordeira de Lecor. Na verdade, em carta do próprio a D. Miguel Pereira Forjaz, Lecor indica a data de 11/4 como a da retirada de Castelo Branco.

12.4.1812 - Vila Velha de Ródão (no mesmo dia, combinado com o 1st Hussards da King's German Legion, passou ao Passo da Milhariça, na estrada de Castelo Branco para Lisboa, na serra do Muradal)
13.4.1812 - Castelo Branco (reentrada em Castelo Branco, após retirada de Clausel)

Nota: Clausel, e a 2.ª Divisão, retiram de Castelo Branco, a ordens do Marechal Marmont, ao terem conhecimento da queda de Badajoz, a 6/4, 7 dias antes. O alívio ao Cerco de Badajoz, que decorria desde 16 de março era um dos dois objetivos da invasão de Marmont; o outro era forragem.

14.4.1812 - Castelo Branco (anúncio de reentrada em Castelo Branco)
15.4.1812 - Castelo Branco 
14.5.1812 - Castelo Branco
1.6.1812 - Castelo Branco
2.6.1812 - Castelo Branco
3.6.1812 - Castelo Branco
4.6.1812 - Promoção a Marechal de Campo (equivalente ao atual Major-General)
6.6.1812 - Castelo Branco
8.6.1812 - Castelo Branco
18.8.1812 - Castelo Branco
23.9.1812 - Castelo Branco
9.10.1812 - Castelo Branco
11.10.1812 - Castelo Branco

(...)

Nota: todas as datas são extraídas de documentos primários e secundários que estão devidamente identificados por mim. Apenas não os coloco por razões de conforto de leitura. Estou, no entanto, sempre ao dispor de qualquer interessado em facultar as referências bibliográficas.

Itinerários de Carlos Frederico Lecor - 1811

Sé de Castelo Branco (Wikicommons)

Itinerário de Lecor 1811

10.2.1811 - Sobral Pequeno (atual Sobralinho), ao comando de uma divisão de Milícias e Infantaria 12.
(3.3.1811 - Wellington, em carta a Beresford, fala do desejo do governo português de nomear Lecor para o Governo de Armas do Minho, expressando discordância.)
8.3.1811 - Sobral Pequeno (Sobralinho)
14.3.1811 - Nomeação para o comando da Brigada portuguesa da recém-formada 7.ª Divisão do exército Aliado.
20.3.1811 - Em carta a Beresford, Wellington refere a intenção de nomear Lecor para, de novo, comandar tropas na Beira Baixa. Refere também que Lecor não quer deixar de comandar a Brigada portuguesa da 7.ª Divisão, mas que o irá chamar e falar com ele acerca dessa eventualidde.

De abril de 1811 a abril de 1813 - 3.º e último período de comando de tropas na Beira Baixa.

13.4.1811 - Wellington informa Beresford que já deu ordens a Lecor para o seu novo comando na Beira Baixa.
16.4.1811 - Vilar Maior (ainda comandante da Brigada portuguesa da 7.ª Divisão)
3.5.1811 - Batalha de Fuentes de Onõro (Lecor já não comandava a Brigada Portuguesa da 7.ª Divisão)
8.5.1811 - Promoção a Brigadeiro
31.5.1811 - Castelo Branco
(...)
24.7.1811 - Castelo Branco
31.7.1811 - Castelo Branco
14.8.1811 - Castelo Branco
8.9.1811 - Castelo Branco
11.9.1811 - Castelo Branco
23.9.1811 - Castelo Branco
29.9.1811 - Castelo Branco
30.9.1811 - Castelo Branco
20.10.1811 - Castelo Branco
28.11.1811 - Castelo Branco
1.12.1811 - Castelo Branco
24.12.1811 - Castelo Branco
25.12.1811 - Castelo Branco

Nota: todas as datas são extraídas de documentos primários e secundários que estão devidamente identificados por mim. Apenas não os coloco por razões de conforto de leitura. Estou, no entanto, sempre ao dispor de qualquer interessado em facultar as referências bibliográficas.

22 de abril de 2012

Carta de 14 de abril de 1812

«Illmo. e Exmo. Senhor

Tenho a honra de participar a V. Ex.ca. para por na prezença de S. A. Real que tendo o inimigo entrado em Alpedrinha no dia 10, como participei a V. Ex.ca. no meu ultimo officio, no dia immediato ás 2 horas da tarde avistei duas Columnas, que se dirigião a esta cidade pella estrada de Alcains, cobrindo a sua vanguarda com 6 esquadrões de Cavallaria.

As forças disponiveis das Millicias, com que me achava, não excedião os 1600=homens: era pois d’absoluta necessidade o retirar-me: a voz de marcha foi dada dipois da Guarda avançada inimiga ter entrado na cidade, e a Divisão de Millicias do meu commando cobrindo todo o trem dos Hospitais, alguns generos, e duentes, marchárão na milhor ordem para Villa Velha ahonde premaneci athe pella manhãa seguinte em quanto desfilou pella ponte os combois, gados, e toda a gente que por aquelle ponto pertendeu salvarse, e dipois combinando-me com o 1.º Regimento de Hussares que passou do sul do Tejo, fui occupar o Passo da Milhariça para me por ao alcance de poder executar as ordens superiores de que estava munido. //

A boa vontade e dispozição que observei em geral nos Millicianos, e a boa ordem com que executárão a retirada á vista do inimigo com o vagar que exigia a marcha de hum comboi de carros, faz o elogio desta tropa, e dá bem a conhecer do quanto são suceptiveis.

O inimigo logo que se me reunio alguma Cavallaria do 1.º de Hussares, não se atreveu a avançar. Hontem pella manhãa se retirou desta cidade em direcção a Penamacor com alguma precipitação [1].

DGVE muitos anos.
Castello Branco, 14 de Abril de 1812
Illmo. e Exmo. Snr. Dom Miguel Pereira Forjaz

Carlos Frederico Lecor
Brigadeiro»

[1] As forças francesas tinham tido, nesta altura, a informação que Badajoz havia sido tomada a 7 de abril, pela força principal anglo-portuguesa.

(fonte: Arquivo Histórico-Militar, AHM/DIV/1/14/097/42 [ff 21-22])

6 de dezembro de 2011

Instrucçoens para os Corpos de Guerrilhas (transcrição)

« O Snr. Marechal Commandante em Chefe nomeará os Commandantes, e lhes dará huma graduação, conforme ao seu merecimento.
Depois de nomeado o Commandante e de formada a Companhia ninguem a poderá deixar sem licença do Commandante, e todos devem inteiramente obdecer-lhe. Os Corpos ficarão sugeitos aos Artigos de Guerra, como todas as outras Ordenanças, e desde que o inimigo for lancado fora poderão retirar-se a sua caza, como as outras Ordenanças.
Os Mappas dos Corpos serão mandados cada segunda-feira ao Quartel General, derigindo-se ao Ajudante General. Estes Mappas serão pello modello incluzo.
Serão acompanhados estes Mappas com as partes de todos os acontecimentos da senmana antecedente, assim do que fez a Companhia, como do que se sabe do inimigo na Vezinhança.
Cada Commandante de Companhia dará os nomes dos engajados na sua Companhia ao Capitão Mór do Districto, e adverte-se que as Companhias devem ser inteiramente compostas das Ordenanças não admitindo nellas nem Soldados de Linha, nem de Milicias; pelo contrario prenderão todos desta natureza, e os mandarão ao General da Provincia.
Estes Corpos devem quanto for possivel ficar dispersos nas suas Povoaçoens, junctando-se unicamente // para se defenderem, ou fazer hum ataque, e os Commandantes devem sempre cuidar muito em terem as melhores intelligencias do inimigo. A intelligencia para estes Corpos he mais util, do que h~ua addicção de força, pois que ella lhe dará sempre a certeza de atacar o inimigo em maior numero, ou de se retirar se acontecer o contrario.
No terreno de Portugal nada há que temer da cavallaria: ella serve mais para impôr, do que para o Serviço: e as Guerrilhas basta que a não temão para a baterem, tomando unicamente cuidado de naõ se exporem nas poucas planicies, que há na Beira e ao Norte de Portugal.
Tudo quanto as Guerrilhas tomarem ao inimigo sejão cavallos, machos, trastes, etc. será seu, e vendido em seu proveito.
As Guerrilhas devem tomar muito cuidado em destinguir os dezertores do inimigo, e de lhe fallar com bom termo, mandando-os todos, assim como os Prezioneiros, debaixo de escolta ao Quartel General mais proximo, se o do Exercito estiver muito distante.
Os Commandantes de cada Companhia combinarão seos ataques sobre o inimigo; conforme á informação, que tiverem do seu número, e dois ou trez Commandantes vezinhos se poderão reunir onde o inimigo estiver em força. //
Estes Corpos devem sempre ser activos, e não deixarem jamais socegar o inimigo, e os ataques de noite são particularmente favoraveis àquelles que melhor conhecem o terreno, e fazem que seja de menor effeito a vantagem da Disciplina: he por isto que os ataques de noite se recommendão às Guerrilhas; porem nestas occazioens atirar fora do alcance he muito prejudicial, e fará mallograr a empreza, e se devem adiantar (…) muito perto do inimigo.
A falta de experiencia das Guerrilhas, fazendo-as atirar antes de tempo, o que não produzindo effeito não faz mais que avizar o inimigo: ellas por este motivo nunca atirarão a mais de cem passos. O ataque de noite sempre cauza muita consternação.
Quando as Companhias de Guerrilhas se encontarem o Commandante de maior graduação, ou patente mais antiga commandará os outros.

NB. Cada Corpo de Guerrilhas não terá mais de 3 sargentos.

Quartel General da Lagioza, 20 d’Agosto de 1810.»

Transcrito de Arquivo Histórico Militar - AHM/DIV/1/14/184/32.

23 de julho de 2011

Carta de 12.3.1809 a Miguel Pereira Forjaz

No meu esforço de trazer a lume as pequenas coisas relativas a Carlos Frederico Lecor, venho hoje com esta simples carta de um comandante de brigada ao Secretário de Estado (hoje seria Ministro). Uma das suas linhas é intrigante, no que Lecor diz preferir receber as gratificações portuguesas em detrimento das inglesas. Uma posição ideológica decerto.

Illmo. e Exmo. Sr.

Tenho a honra de participar a V Exª que na Tesouraria não sabem em que classe me hão-de contemplar, relativamente à Tabela que regulas as gratificações por me achar fora do meu Regimento e comandando uma Brigada, e depois de algumas dúvidas me queriam pagar como Coronel tirando-me a ratificação que S. A. Real me fez a Graça, por intervenção de V Exª de vinte mil réis por mês.

Eu prefiro esta à Gratificação Inglesa ficando desta sorte sem entrar no número de gratificados por aquela Nação.

Igualmente, não dá aos meus Ajudantes d’Ordens gratificação mais do que a de doze por cento, por se acharem fora do Regimento, desta forma não haverá quem queira servir de Ajudantes de Ordens, em geral todos quererão ir para os seus respectivos Corpos, parecendo-me que estes têm tanto trabalho, ou mais, do que os que servem juntos dos seus Regimentos. = Eu não requeiro nada a V exª a este respeito, porque tanto eu como eles, estamos por tudo porém nem todos pensarão assim e é bom que V exª saiba as dúvidas que há, com as quais haver ao descontentes.

Deus guarde a V Exª p.[or] m.[uitos] a.[nos] = Tomar, 12 de Março de 1809. = Illmo. e Exmo. Sr. D. Miguel Pereira Forjaz. = Carlos Frederico Lecor, Coronel Comandante de Brigada.

Itinerários de Carlos Frederico Lecor - 1810

Ponte de Mucela, sobre o Rio Alva

ITINERÁRIOS - 1810

Fev.1810-Set.1810 – Comando de tropas na Beira (2.º período) - AHM
18.2.1810 – Ofício de Wellington (assinado em Viseu), informando Lecor que irá tomar o comando de um corpo junto ao Zézere (formando uma 2.ª linha atrás do Coronel Wilson, em Castelo Branco), constituído pelo RI n.º 13, e as Milícias de Tomar, Leiria e Santarém. Primeiramente, deveria tomar Quartel-general em Tomar, e dispor as suas tropas por forma a defender a passagem do Zêzere.
24.2.1810 – Tomar
12.3.1810 – Tomar
28.3.1810 – Castelo Branco (primeira carta a Miranda Henriques, após LLL chegar a Tomar, saindo de Castelo Branco)
1.4.1810 – Castelo Branco
3.4.1810 – Castelo Branco
8.4.1810 – Castelo Branco
12.4.1810 – Castelo Branco
23.4.1810 – Castelo Branco
30.4.1810 – Castelo Branco
2.5.1810 – Castelo Branco
17.5.1810 – Castelo Branco
29.5.1810 – Castelo Branco
3.6.1810 – Castelo Branco
16.6.1810 – Castelo Branco
20.6.1810 – Castelo Branco
28.6.1810 & 4.7.1810 - Milícias de Castelo Branco, Idanha e Covilhã postas sobre o comando de Lecor, de acordo com ofícios de Beresford (Soriano II/III/46-47)
1.7.1810 – Castelo Branco
5.7.1810 – Castelo Branco
8.7.1810 – Castelo Branco
10.7.1810 – Castelo Branco
12.7.1810 – Castelo Branco
15.7.1810 – Castelo Branco
18.7.1810 – Castelo Branco
21.7.1810 – Castelo Branco
24.7.1810 – Castelo Branco
26.7.1810 – Castelo Branco
20.9.1810 – Chega a Espinhal, vindo do Fundão, via Pampilhosa da Serra, em marchas forçadas. A 22, deveria estar em Ponte de Murcela.
27.9.1810 - Bussaco – Cte. Brigada (Caç. 5 + Inf. 12, 13) + Milícias.
29.9.1810 – Ponte de Murcella
(retirada de Ponte de Murcela para as Linhas de Torres, na coluna do General Hill)
16.10.1810 – campo da Serra da Muxeira
22.10.1810 – campo da Serra de Alhandra (“Commandante da 3.ª Divisão do Exército da Direita”).
18.11.1810 - A posição da Divisão de Milícias, comandanda por Lecor, era Alhandra (1.ª linha). Esta divisão fornecia-se no Depósito de Povoa (um dos três em funcionamento).
20.11.1810 – Sobral Pequeno (próxima a Sobral - actual Sobralinho, no concelho de Vila Franca de Xira)

Itinerários de Carlos Frederico Lecor - 1809

Azambuja

No início do ano de 1809, o então Coronel Carlos Frederico Lecor exerceu o comando militar da Beira Baixa, substituindo Francisco da Silveira Pinto de Fonseca (futuro Conde de Amarante). Em Abril, vai com a divisão para a zona de Abrantes, para treino.

ITINERÁRIOS 1809


Fev.1809-Maio.1809 – Comando de tropas na Beira (1.º período) - AHM
2.2.1809 – Almeida
3.2.1809 – Almeida
3.3.1809 – Idanha-a-Nova
7.4.1809 – Idanha-a-Nova. Informa que a vanguarda da sua divisão chegará a Abrantes no dia 9.
15.4.1809 - Abrantes
17.4.1809 – É citado em Ordem do Dia do Marechal Beresford, “pela boa apparencia em geral das Tropas debaixo das suas ordens”, após revista de tropas em Punhete, no dia 15 de Abril.
30.4.1809 – Abrantes
1.5.1809 - “(...) Forças de Abrantes até Villa Velha, às ordens do coronel Lecor: Caçadores n.º 1, 576; Caçadores n.º 2, 405; Caçadores n.º 5, 296; milícias de Santarém, 815; milícias de Thomar, 980; milícias da Covilhã, 993; dois esquadrões de cavallaria, 220; oito peças de calibre 3 (...)”. total: 4065 – fonte: ofício de Beresford (Soriano II/V/i/428).
15.5.1809 – Abrantes
19.5.1809 – garganta de Milhariça
23.5.1809 – Perdigão
5.6.1809 – Perdigão
6.6.1809 – Perdigão
10.6.1809 – Perdigão
11.6.1809 - Perdigão
2.7.1809 - Pinhel
8.7.1809 - Pinhel
3.8.1809 – José Ribeiro de Almeida é nomeado Comissário de Viveres na Brigada do sr. Lecor.
15.9.1809 - Punhete (*)
Outubro.1089 [Em hum dos dias dos mes de,] – Azambuja. O Mestre de Portas de Azambuja, Isidoro José Correia, recusa-se a fornecer Lecor com cavalgaduras, Lecor puxa da espada, insulta-o com palavras e dá-lhe uma bofetada.
2.10.1809 – Punhete. Comandante de Brigada – Caç. 4, 6 (841 efectivos).
4.11.1809 – Punhete
15.11.1809 – Punhete
21.11.1809 – Representação de Lecor contra o Mestre de Portas de Azambuja, relativos aos factos passados e que leva a inquirições a testemunhas em Dezembro.
2.12.1809 - Punhete
16.12.1809 – A sua brigada (Caç. 4 e 6) é numerada como a terceira de Caçadores, por Ordem do Dia, em Tomar.
22.12.1809 – o Marechal Beresford, em Ordem do Dia, reflecte sobre a falta de preparação dos Caçadores, mas testemunha “a sua satisfação ao Coronel Lecór pela maneira, e applicação, que tem empregado sempre para o melhoramento das Tropas debaixo das suas ordens” (Caç. 4, 6).

(*) Punhete é hoje conhecida por Constância.

18 de maio de 2011

Propostas para as Milícias (1811)

Illmo. Senhor,
Tenho a honra de remeter a V. S.ª incluso o projecto sobre o augmento do Soldo da Officialidade dos regimentos de Millicias que S. Ex.ª o Illmo. e Exmo. Sr. Marechal [de Campo Maior, Beresford] deseja vêr, o qual estimarei seja da aprovação de S. Ex.ª para que se possa remediar os meios de subsistencia tão necessarios á Officialidade de Millicias, para que sirvão de mais boa vontade, e se possa tirar destes Corpos a maior vantagem possivel.

Deus Guarde a V. S.ª
Castelo Branco, 31 de Julho de 1811

Illmo. Sr. Manoel de Brito Mozinho

Carlos Frederico Lecor
Brigadeiro

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Os Corpos de Millicias compoem-se de 8 companhias havendo em cada huma dellas 12 soldados aggregados, os quaes se ajuntão quando o Regimento se reune para formar huma 9.ª Companhia, que se chama de Granadeiros, para o commando da qual há um Capitão, e mais officiaes e officiaes inferiores correspondentes.
Os Regimentos devidem-se em 2 Batalhões, dando-se a cada hum 1 Tenente Coronel, e 1 Ajudante: formando-se a Companhia de Granadeiros na direita do 1.º Batalhão.
Numero impar de Pelotões cauza grande desarranjo nas manobras e inconveniente que sabiamente foi remediado nos Batalhões de Cassadores pelo Ilmo. e Exmo. Senhor Marechal.
A formação de 2 Batalhões não he menos dificultoza principalmente para os officiaes de Millicias, que em geral são tirados de suas cazas sem nunca terem servido e como passam a maior parte do tempo licenciados jamais se poderá esperar dos Officiaes superiores de Milicias grandes conhecimentos tacticos acrescendo que até ao prezente ainda não pude fazer trabalhar aos Regimentos com 2 Batalhões por haver nos Corpos de Millicias 1 proporsão guardada e maiores descontos no seu estado completo do que nos Corpos de Linha.
A officialidade de Millicias em geral não he tão abastada quanto se pença: Eu vivo entre elles vai para tres annos, e conheço que passão necessidades reaes, por não poderemja ser socorridos de suas arruinadas cazas, e dispersas familias; razão porque vivem em grande descontentamento, e desejão as suas Demissões, de que talvez dependa toda a falta que se encontra nos Corpos de Millicias.
Contemplar a sorte desta classe de Defensores he de absoluta necessidade, assim como a de dar organização aos Corpos de Millicias, que seja analoga aos conhecimentos de que he susceptivel a sua Officialidade.
Estes dois importantes objectos podem se remediar fazendo as duas alterações seguintes; com as quaes a forsa dos Corpos não diminue.

Primeira = Abulir a Companhia de Granadeiros.
Segunda = Reduzir a formação a hum só Batalhão.

Da primeira conseguese a vantagem de trabalhar com numero par de Pelotões = O ficarem os soldados aggregados servindo nas suas companhias respectivas, o que fazem com repognancia na de Granadeiros = O pouparse o Soldo dos Officiaes, Officiaes inferiores, e Tambor da mesma Companhia.
Da segunda = Tirase a vantagem de se facilitar a execução das manobras a Officialidade Superior das Millicias, não faltando ao que determina o Regulamento, podendose poupar os Soldos, Cavalgaduras de hum Tenente Coronel, e de hum Ajudante, cujo importe junto ao que se pode economizar na Companhia superflua de Granadeiros offerece o meio de se augmentar o Soldo à Officialidade sem despeza da Real Fazenda, como se vê na Conta Corrente junta.

Castello Branco, 31 de Julho de 1811
Carlos Frederico Lecor
Brigadeiro

in: Arquivo Histórico Militar, AHM-DIV-1-14-175-66 [imagens 1-3]