28 de abril de 2008

Gravura

Esta gravura, da autoria de José Wasth Rodrigues, com base numa fotografia de um quadro a óleo de colecção privada, mostra um Carlos Frederico Lecor mais velho, provavelmente no final da década de 1820, inícios da de 1830.

Apesar disso, claras são a grande maioria das condecorações e ordens que leva ao peito, se bem que abro espaço de discussão aqui:

Suspensas do pescoço:
- (por cima) Medalha de distinção da Cisplatina (ou do Exército do Sul) (também chamada Medalha do Barão de Laguna);
- (por baixo) Ordem Militar de Aviz

No peito esquerdo:
- Ordem do Cruzeiro (Império do Brasil);
- Ordem de Aviz (presumo que a versão brasileira);
- Ordem da Torre e Espada (Portugal).
- (suspensa) Cruz da Guerra Peninsular.

No peito esquerdo:
- Desconhecida (muito provavelmente uma medalha espanhola com relação a alguma das batalhas em que Lecor participou).

De qualquer forma, aqui fica mais uma imgem do militar com uma pose mais intimista, onde se nota uma espécie de sorriso.

25 de abril de 2008

22 de abril de 2008

Jorge Frederico Lecor


Jorge Frederico Lecor é, dos irmãos de Carlos, o que menos informações dispõe à modernidade, apesar de um papel de alguma importância na vida política portuguesa, nomeadamente no que tange à Revolução de 1820 na Ilha da Madeira [na foto, a cidade do Funchal].

Desconheço a data do seu nascimento, ou mesmo apenas o ano, mas pressuponho que terá nascido em Lisboa. Sei que terá nascido após 1767. Para complicar um pouco mais, a ficha do Arquivo Histórico Militar relativa ao oficial reporta informações acerca de outro com o mesmo nome, bastante mais novo (filho de Jorge Frederico ou de outro irmão?; erro de arquivamento algures entre 1800 e hoje?). Já de seguida o que sei...

Seguiu, como os 3 irmãos, a carreira de artilheiro, no Regimento de Artilharia do Algarve, em Faro, sendo promovido a 2.º Tenente da 8.ª Companhia em 7 de Setembro de 1795. Terá possivelmente feito a Campanha do Roussilhão como Cadete, mas encontro algumas incongruências que o poderão ter feito confundir com os irmão António Pedro e João Pedro.

A 2 de Novembro de 1800, ainda como 2.º Tenente, passa para a Companhia de Bombeiros.
É promovido a 1.º Tenente da 1.ª Companhia de Artilheiros em 14 de Novembro de 1802.

Em 1805, mais precisamente em 15 de Agosto, o então (1.º) Tenente Jorge Frederico é promovido a Sargento-Mor agregado (ao RAAlgarve) para servir como um dos Ajudantes d'Ordens do novo Vice-Rei e Capitão-General de Mar e Guerra do Estado da Índia, D. Bernardo José Maria Lorena e Silveira, 5.º Conde de Sarzedas.
Jorge Frederico terá chegado a Goa, com o seu General, a 27 de Maio de 1807.

Em 1810, foi Governador de Damão, e em 1813 é dado no Rio de Janeiro como Coronel (provavelmente com o posto de Tenente-Coronel).

Em 1815 é nomeado Coronel comandante do Corpo de Artilharia da Madeira, onde permanece até falecer, precocemente, a 22 de Setembro de 1822. Em 1820 é participante activo, já Brigadeiro, no movimento Constitucional madeirense.

Casado com D. Germana Guilhermina Lecor, deixou profícua descendência, contando eu pelo menos 4 filhas, todas elas casadas com distintos cavalheiros madeirenses: Guilhermina Máxima Lecor; Matilde Eufémia Lecor; Maria Emília Lecor & Henriqueta Aurora Lecor.

7 de abril de 2008

António Pedro Lecor

António Pedro Lecor nasceu, talvez, em 1770, em Lisboa.

A 10 de Março de 1788, assenta praça como Soldado do Regimento de Infantaria de Tavira. Dezasseis meses depois (16.7.1789), era Cadete do Regimento de Artilharia do Algarve, em Faro, na Companhia de Bombeiros. Por despacho de 7 de Setembro de 1795, é promovido a 2.º Tenente da 4.ª Companhia de Artilheiros, embora também seja apontada a data de 31 de Outubro do mesmo ano.
Participa na Campanha do Roussilhão onde contrái uma moléstia nervoza que o acompanha para a vida e eventualmente o leva a reformar-se ainda jovem.
A 16 de Novembro de 1800, passa à Companhia de Mineiros, como 2.º Tenente, e reforma-se a 17 de Dezembro de 1805.

Apesar de reformado, a reorganização militar de Portugal chama-o de volta ao dever e é promovido em 17 de Janeito de 1810 ao posto de 1.º Tenente agregado à Artilharia fixa de Faro.

Perco-lhe o rasto até que em 28 de Maio de 1816 é Major e Governador da Praça de Faro.

Faleceu sem descendência. É, dos irmãos Lecor, o que menor proeminência militar conheceu (pelo menos o único que não atingiu o generalato), mas demonstra-nos a forte devoção ao dever que um soldado português imprime à História do país durante esta época.

31 de março de 2008

João Pedro Lecor


Carlos Frederico Lecor era o irmão mais velho dos cinco filhos de Louis Pierre e da D. Quitéria Mariana Luísa. Logo a seguir vinha João Pedro, 2 anos mais novo. (na foto, a Igreja Paroquial de Santos onde Carlos e João foram baptizados).

João Pedro Lecor nasceu no dia 7 de Outubro de 1766, em Santos-o-Velho, paróquia de Lisboa. Os pais e o bebé Carlos moravam na Rua de São João da Matta, quando receberam o novo rebento da família.

João ingressou como Cadete no Regimento de Artilharia do Algarve (RAA), em 17 de Novembro de 1792. Em 1793 vai para a Campanha do Rossilhão, onde, ainda como Cadete, chega a comandar batarias e onde acaba por ficar prisioneiro dos Franceses durante 10 meses.
Ao retornar a Portugal, em 1795, é promovido a 2.º Tenente da 4.ª Companhia do RAA. A sua carreira prossegue regular, sendo promovido a 1.º Tenente em 1/3/1797 e graduado em Capitão a 13/2/1800, sempre na 4.ª Companhia de Artilheiros.
A 17 de Dezembro de 1805, João é promovido a Capitão efectivo, desta feita da 6.ª Companhia. Faltavam então 2 anos para nos vermos invadidos pelos Franceses e pelos Espanhois.

Não sabemos se João acompanhou o seu irmão numa fuga para a Inglaterra, se simplesmente se demitiu, mas é certo que em 17 de Novembro de 1809, é Governador da Praça de Albufeira, com o posto de Sargento-Mor (Major, hoje em dia).
Não tenho, infelizmente, mais dados acerca do que João fez durante o período da Guerra Peninsular, mas calculo que se manteve no cargo de Governador da Praça de Albufeira (ainda ocupava este cargo em Outubro de 1810), pois não participou no Exército Português de Operações.

Terá sido promovido a Tenente-Coronel por altura da formação da Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, em que funcionou como ajudante d'Ordens do irmão Carlos Frederico, o comandante.
Em 1818, já tem o posto de Coronel e em 26 de Março de 1821, é promovido a Brigadeiro.

Em 1823 é um dos militares que acompanham Carlos Frederico Lecor para o serviço do nóvel Império Brasileiro, estando decerto entre os nomes da nota de deserção enviada para Lisboa pelo Brigadeiro Álvaro da Costa de Souza Macedo.

Pouco sei acerca do seu serviço no Brasil, apenas que faleceu no dia 7 ou 8 de Julho de 1844, nas funções de vogal do Conselho Supremo Militar e no posto de Marechal-de-Campo (actual General-de-Divisão, no Brasil), sendo sepultado no Convento de Santo Antônio (usando a grafia brasileira).

Ao contrário do seu irmão, João deixou descendência, entre o quais se encontra um outro Carlos Frederico Lecor, que trabalhava no Ministério dos Negócios Estrangeiros brasileiro em 1851.

Quando houver novos desenvolvimentos, trarei a este blog. Consta no entanto que foi perante uma parada de tropas, sob o comando de João Pedro, que o Imperador D. Pedro I teve um dos seus ataques epilépticos. Mais sobre isto quando puder desenvolver.

29 de março de 2008

Leituras Cibernáuticas II - Biblioteca Nacional

Continuando uma viagem pelos livros disponíveis na Internet, não há não só como evitar a Biblioteca Nacional Digital, da nossa histórica Biblioteca Nacional, mas fundamentalmente divulgar o seu excelente trabalho em trazer a todo o Portugal e, na verdade, ao mundo algumas obras importantíssimas, sejam livros, mapas, gravuras ou mesmo partituras musicais.

No escopo da vida e tempos do nosso amigo Carlos Frederico, deixo-vos as seguintes ligações:

SORIANO, Luz (1866-1890) História da Guerra Civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal comprehendendo a história diplomática militar e política d'este reino desde 1777 até 1834 - Lisboa: Imprensa Nacional.

NEVES, José Accursio das (1810-1811) Historia geral da invasão dos francezes em Portugal e da restauração deste reino, Lisboa: Off. de Simão Thaddeo Ferreira - 5 volumes.

ALMEIDA, António de (1797), Dissertação sobre o methodo mais simples, e seguro de curar as feridas das armas de fogo, Lisboa: Regia Off. Typographica.

O trabalho de digitalização é mais perfeccionista na BND do que no GoogleLivros, pelo que é pouco provável encontrar erros ou páginas em falta, ou como já vi uma vez ou duas, os dedos do operador da digitalização.

Que a nossa Biblioteca Nacional continue no excelente caminho que trilha hoje e que pela maravilha tecnológica, possa descentralizar os seus serviços desta forma. Aproveito, já agora, para mandar a mesma piscadela de olhos aos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo.

28 de março de 2008

Oficial Iluminado


Já tenho aqui referido algumas vezes o que Lecor teve de emblemático na representação de um novo tipo de oficial superior do Exército Português, nascido da Burguesia mercantil, que vem, de certa forma, substituir a Nobreza, classe que mantinha, até inícios de oitocentos, o privilégio das chefias.

Referi também, e não com algum sentido de ironia, que terá sido com toda a certeza, um desses nobres, D. Pedro de Almeida Portugal, 3.º Marquês de Alorna, que liderou a mudança. José Norton, em O Último Távora, demonstra bem este período e toda uma nova casta de oficiais nobres na senda do Iluminismo português, fruto do trabalho do Marquês de Pombal e do seu Real Colégio dos Nobres. Também sei que os Alornas já vinham de uma longa tradição francófila, avançada no seio da velha Nobreza portuguesa - a análise da biblioteca do 1.º Marquês de Alorna mostra-nos isso, com uma percentagem bastante grande de livros não-religiosos, coisa relativamente estranha no contexto da Alta Nobreza.

Lecor privou durante bastante tempo (10 anos) com o seu General, Marquês de Alorna, tomando historicamente o seu lugar na vanguarda do novo pensamento militar português.

Assim, já após a Guerra Peninsular, onde se estabeleceu definitivamente como um novo tipo de comandante, fruto, ao mesmo tempo do rigor britânico e da sua herança pessoal e profissional, Lecor vê-se com o poder de alterar o estado das coisas. Enquanto comandante da Divisão de Voluntários Reais do Príncipe, e durante a longa preparação do corpo em Belém, no ano de 1815, o Tenente-General Lecor procede a uma geral vacinação dos homens da sua Divisão, pelo que no ano seguinte foi subido à consideração das mentes pensantes do nosso Portugal.

Em sessão pública da Academia Real das Sciencias de Lisboa, de 14 de Junho de 1816, o Doutor Justiniano de Mello Franco, ao dar notícia dos indivíduos que se distinguiram em prol da saúde pública em Portugal, anuncia o seguinte:

Foi nomeado Correspondente, e obteve o competente diploma o Ill.º e Ex.mº Snr. Carlos Frederico Lecor, Tenente General, Commandante da Divisão de Voluntarios Reaes do Principe. Este habil General fez vaccinar muitos dos seus Soldados nos ultimos dias da sua partida, e deo as ordens necessarias, para que a vaccinação continuasse durante a viagem.
Aqui fica, sem mais análise que a feita ao início deste post, o resultado das grandes alterações no exército e na sociedade portuguesa, na qual vemos o nosso amigo Carlos Frederico, cavalgando na vanguarda.