5 de maio de 2011

Piada de Caserna


Certo official francez disputando com um suisso, arguio de que os da sua terra combatião por todos os partidos, huma vez que lhes pagassem, sendo certo que os francezes nunca combatião senão pela honra. “He verdade, respondeo o suisso, ninguém combate senão por aquillo que mais lhe falta”.

in: O Archivo Popular, n.º 6, Sábado, 6.2.1839

15 de janeiro de 2011

Lorenzo Caleppi, ou como o audaz Arcebispo de Nisibi enganou um dia Junot


“O tempo na verdade era delicioso, e convidava a viajar; em huma bella manhã da Semana da Páscoa procurou-se o velho, e elle tinha abalado com os trastes. Com effeito teve a habilidade de transportar-se para Inglaterra, com quasi tudo o que lhe pertencia, em hum navio, que sahio licenciado por Junot.”
José Accursio das Neves, História Geral da invazão dos Francezes (1810), p. 222.


Assim partiu ‘à italiana’ o velho italiano Monsenhor Lorenzo Caleppi (1741-1817) da Lisboa ocupada de 1808, não sem antes escrever uma carta ao general Junot, agradecendo-lhe a simpatia, mas prometendo-lhe que “agitado pelos gritos da [sua] consciência” (1), deveria partir para o Brasil e cumprir o seu papel de Núncio Apostólico junto à corte legítima.

Após não ter conseguido embarcar na esquadra que levou os nossos melhores para o Brasil nos últimos dias de novembro de 1807, Monsenhor Caleppi ficou em Lisboa, único embaixador que o fez, e conspirou activamente com os ajudantes de ordens do Marquês de Alorna, o nosso Carlos Frederico Lecor e o major Bocaciari (de triste destino, a falar aqui em breve), para que todos fugissem para a esquadra inglesa nas costas portuguesas. Os três não conseguiram convencer Alorna, já preso aos franceses, não sem remorsos (outra história!), mas por alturas da Páscoa, em torno do dia 18 de Abril, lá tomaram o caminho do exílio, recusando o jugo revolucionário. Caleppi escusou-se por carta a Junot, que estava doente e não poderia ir a uma festa, mas nessa mesma noite, vestido de pescador lá ia ele ao seu destino.

Lorenzo Caleppi nasceu em Cervia (Ravenna, na costa adriática da Itália) em 29 de Abril de 1741, filho do Conde Nicola Caleppi e Luciana Salducci, e foi ordenado padre em 1772. Rapidamente, escalou a hierarquia do Vaticano, assumindo-se como um dos mais promissores diplomatas da Igreja. Em 22 de Fevereiro de 1797, esteve presente e assinou o Tratado de Tolentino [na foto ao lado, Caleppi é o segundo a contar da esquerda], com que a Igreja capitulou de vez perante o Directório Francês e Napoleão.


Segundo na comitiva do Vaticano na negociação e assinatura do Tratado de Tolentino, atrás do Cardeal Alessandro Mattei, o próprio Napoleão, tendo-o conhecido na Itália uma vez (provavelmente durante as negociações ou a assinatura do tratado), observou que “toda a arte do mais subtil xeique turco era mera simplicidade comparada com a astúcia de Caleppi” (2). Ao assinar, numa ocasião, um tratado com Murat, Caleppi colocou um par de óculos escuros verdes, para que não se visse o seu semblante. Para Laura Junot, isso mostra o homem.

Em 23 de Fevereiro de 1801, é eleito Arcebispo de Nisibi, sendo consagrado na catedral de Frascati. Nomeado Núncio para Lisboa nos finais desse mesmo ano, chega a Lisboa no dia 22 de Maio de 1802.


Em 1805, Laura Junot conhece-o em Lisboa, por ocasião do breve consulado do seu marido na Corte, e diz dele que “a sua astúcia combinada com a sua extensa e profunda informação, tornava a sua companhia extremamente interessante”, e que “fazia tudo [...] com bom gosto, sem qualquer indício de servilismo”. (3)

Monsenhor Caleppi, como um dos dois únicos embaixadores remanescentes em Lisboa (o outro era o da Rússia, e que se reúne à Corte no Rio, penso que em 1812, por via dos Estados Unidos), e por sua própria inclinação política, tudo fez junto de variadas altas instâncias da sociedade portuguesa, para que fugissem para o exílio, mas com poucos resultados, acaba por escapar ele próprio, deixando o seu próprio n.º 2 na Nunciatura, Vincenzo Macchi, futuro cardeal, para ser posteriormente expulso por terra até aos Pirinéus. Caleppi leva com ele, pouco tempo depois, pelo menos o nosso herói Carlos Frederico Lecor e José Tomás Bocaciari, os ajudantes de ordens de Alorna.

Na sua carta a Junot, jogando o mesmo jogo cortês do comandante da ocupação estrangeira, Caleppi despede-se de Junot, trocando-lhe as voltas, decerto com um sorriso enquanto a ditava:

“A negação dos passaportes, para poder embarcar-me, soffrida pelo espaço de quatro mezes, os incommodos, e tudo quanto tenho supportado neste intervallo, sem os poder conseguir, me tem muitas vezes feito recear, que alguma calumnia tenha enganado a V. Excelencia, [...] sobre a minha pertenção. [...] Por felicidade minha V. Excelencia nestes ultimos dias me fez o maior obséquio, certificando-me repetidas vezes pela sua honra, que nada, absolutamente nada, havia contra a minha pessoa, e que a negação dos passaportes, para o meu embarque, era sómente huma medida, não devendo a França (me dizia V. Excelencia) facilitar aos Embaixadores meios de transportar-se a hum paiz, com quem estava em guerra.” (4)


Lá se foi Caleppi, com certeza desenhando na mente a cara do grande Junot, após brilhante saída de cena. Essa mesma saída de cena é fortemente ovacionada no Rio de Janeiro, quando o Núncio lá chegou, assumindo o seu papel enquanto embaixador da Santa Sé, o primeiro do novo mundo.


Em 8 de Março de 1816, já com a guerra terminada na Europa, e uma prestes a decorrer no Rio da Prata (no comando, o nosso Carlos Frederico Lecor), Lorenzo Caleppi é criado Cardeal, embora nunca tenha recebido o solidéu vermelho. Dez meses depois, a 10 de Janeiro de 1817, um mês antes de Lecor conquistar Montevidéu, o Arcebispo de Nisibi falece com quase 76 anos de idade. Como sua última vontade, é sepultado no franciscano Convento de Santo Antônio [na foto], no Rio de Janeiro.

---

(1) Carta de Lorenzo Caleppi a Junot, 18.4.1808, in: José Accursio das Neves, História Geral da invazão dos Francezes (1810), p. 222-227.
(2) Laura Junot (1832), Memoirs of the Duchess d’Abrantes, Vol. IV, London: Richard Bentlet, pp. 242-245 [minha tradução].
(3) Ibidem
(4) Carta de Lorenso Caleppi a Junot, 18.4.1808, op. cit.

14 de janeiro de 2011

O Pai de Lecor, ou a Educação de Meninos (1746)


Há três posts atrás [aqui], versando sobre o período formativo de Carlos Frederico Lecor, falei em dois pequenos parágrafos acerca do pai, Louis Pierre, ou Luís Pedro Lecor . Este terá nascido por volta de 1720, em Paris, na paróquia de Saint Eustache.

Em 1747, encontramo-lo pela primeira vez em Portugal, pois é neste ano que ele edita o Livro de educação de meninos ou ideas geraes e definiç[ão] das cousas que devem saber [ficha na BNP]. Este livro é, fora dos seus dois casamentos e 5 baptismos dos filhos, uma das únicas duas pista s que nos restam do homem , juntamente com o Privilégio Real por dez anos outorgado por Dom João V, nos seus livros de Mercês, sobre a mesma obra.

Sabemos então que Louis Pierre Lecor era tradutor, livreiro e pedagogo. Tradutor, porque a obra é traduzida do francês, apesar de ser acrescentada e diminuída onde o mesmo achou adequado. Livreiro, porque Luis Pedro pediu e obteve os direitos autorais sobre a obra pelo prazo de dez anos. Pedagogo pela própria natureza do livro, onde através de 49 capítulos, ele versa sobre tudo o que os meninos cristãos devem saber.

O livro é curiosamente dedicado a Sua Alteza a então Princesa da Beira, Dona Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança, futura Rainha Dona Maria I (tinha 12 anos em 1746), conforme o caro leitor poderá aferir da dedicatória ao início da obra:

«Serenissima SENHORA,
OFFEREÇO a V. A. este Livro, não só para acredita-lo, estampando nelle o Augustissimo nome de V. A., que basta para lhe adquirir o mayor credito, e honra; senão também, porque, sendo a sua matéria a Educação das idades tenras, não seria sufficiente para causar a utilidade, q promette, se juntame~te com o dictames, q prescreve, se não visse nelle o Exemplar da educação mais egrégia, mais regulada, e mais perfeita, qual he a q no Augustissimo Nome de V. A. se insinua. Dictame he Evangelico, que devemos emprehender assemelharnos ao Exe~plar Divino; não porque esta semelhança se possa cabalmente conseguir, mas para que com este Exemplo á vista cheguemos áquella altura, que a nossa possibilidade alcança: e por semelhante modo offerecendo eu a V. A. Este Livro, nelle proponho hum Exemplar, que, supposto não pode ser completamente igualado, póde com tudo servir de estîmulo, para que os poucos annos se encham de progressos heroycos, vendo os que V. A. Tem feito em annos tão poucos não sem admiração, e pasmo deste Reyno, o dos estranhos, aonde tem chegado os eccos dos exercícios virtuosos, e litterarios, com que V. A. não só vence a agilidade, com q o tempo corre, adiantando-se mais que elle, mas também promette vencer a sua voracidade; porque a pesar della vivirá eterno, e respeitado no Templo da Memória o Augustissimo Nome de V. A. Digne-se pois V. A. De aceitar esta offerta, que será outro publico monumento da benignidade, com que V. A. Se distingue, aceita-la, sendo cousa tão pequena. Guarde Deos a Real Pessoa de V. A. Para credito desta Monarchia.
Luis Pedro Le-Cor»

Tive o prazer de poder consultar em micro filme a obra, e ter uma excelente perspectiva do contexto ideológico que Carlos Frederico terá usufruído e que ajudou a formar o homem que estudamos neste blogue. Com pouca surpresa, verifiquei que a educação proposta por Luís Pedro é própria do Antigo Regime, conservadora e monárquica, mas polvilhada já de um forte carácter iluminista, como o prova o extracto seguinte:

«(...) he necessário abrir-lhe os olhos do entendimento em mil cousas, q sendo-lhe precisas; lhe podem também ser deleitáveis; pois do contrario nasce a ignorância, com q até certa idade se não distingue dos brutos, não percebendo o que se lhes diz, nem sabendo responder ao que se lhes pergunta; porque o juízo não sabe usar do que não conhece, assim como entre as trevas não tem uso a vista.
»


Em formato pedagógico e acessível de Pergunta/Resposta, Luis Pedro Lecor sumariza as três coisas vitais que um menino deve saber e conhecer: «primeira, deve conhecer-se assi mesmo: segunda, deve conhecer a Deos, que he seu Creador: terceira, deve conhecer as creaturas, que forão feitas para o homem».

Como aprende o homem então a conhecer-se: «Estudando primeiro, do que he composto: segundo, de onde vem: terceiro, porque está no mundo: quarto, em q há de reduzir-se, depois de não estar nelle».

Concluo um já extenso post, com uma impressão do delicado balanço que noto em Luis Pedro Lecor para não conflituar com a igreja católica portuguesa. Na obra, é dito que o Sol gira em torno da Terra, teoria essa (Geocentrismo) que nesta altura já estaria em descrédito, até porque 11 anos depois, o Igreja abandonou a proibição de menções ao heliocentrismo. Penso isto não por algum juízo de valor 260 anos depois, mas porque noto em toda a obra uma preocupação de Luís Pedro na apresentação adequada e o mais moderna possível dos aspectos científicos que ensina.

Imagem
- Retrato a óleo da Infanta D. Maria Francisca Isabel Josefa (futura rainha D. Maria), em 1738, da autoria de Francesco Pavona (fonte: Wikicommons)

19 de dezembro de 2010

Libera Me - José Maurício Nunes Garcia (1767-1830)


No funeral do Marechal do Exército Carlos Frederico Lecor, na Igreja de São Francisco de Paula, Rio de Janeiro, a 4 de Agosto de 1836, foi tocada a peça Libera Me. Não sabendo quem o autor, nessa precisa ocasião, apresento aqui a versão de José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), compositor brasileiro contemporâneo de Carlos Frederico, e também residente no Rio de Janeiro:

Libera me, Domine, de morte aeterna, in die illa tremenda:
Quando caeli movendi sunt et terra.
Dum veneris judicare saeculum per ignem.
Tremens factus sum ego, et timeo, dum discussio venerit, atque ventura ira.
Quando caeli movendi sunt et terra.
Dies illa, dies irae, calamitatis et miseriae, dies magna et amara valde.
Dum veneris judicare saeculum per ignem.
Requiem aeternam dona eis, Domine: et lux perpetua luceat eis.

Livra-me Senhor da morte eterna. naquele dia tremendo:
Quando os céus e a terra se revirarem:
Então virás julgar os povos através do fogo.
Ponho-me a tremer, e tenho medo, quando o abalo vier juntamente com a fúria futura.
Naquele dia de ira, de calamidade e miséria, dia de grande e excessiva dor.
O descanso eterno dá-lhes, Senhor, e brilhe para eles a luz eterna.

A atuação é da responsabilidade do maestro Ernani Aguiar, Coral Porto Alegre e da Orquestra de Câmara Theatro S. Pedro, a 20 de Outubro de 2008.

10 de dezembro de 2010

Problemas Financeiros de Carlos Frederico Lecor



José Ferreira Pestana (1795-1885),
procurador de Lecor após a morte deste.
Tive a dúvida de colocar ou não esta entrada, na medida em que a ilustro com uma carta privada.
Mas, relendo o general Paulo de Queiroz Duarte, no seu Lecor e a Cisplatina, de 1984, e mais para trás, Wanderley Pinho em 1936, a questão financeira é uma elemento importante para compreender o ilustre general, sujeito deste blogue. Os soldos, gratificações e presas estavam sempre atrasados nos exércitos do primeiro quartel do século XIX, por vezes quase chegando a vários meses.

Além disso, encontrei uma edição do Grande Dictionaire du XIX siècle, 1873, de Pierre Larousse, onde se afirma que Lecor morreu "riche d'une fortune colossale", o que é falso, acreditem de quem vê os seus bens em 1836. Em Dezembro de 1836, José Ferreira Pestana (NA FOTO EM CIMA), seu sobrinho por casamento, reclamava as presas da Guerra Peninsular que lhe haviam sido retidas pelo governo 'usurpador' (D. Miguel).

A carta que gostaria de transcrever aqui é de 11 de Outubro de 1812, ao início dos últimos seis meses como comandante militar da Beira Baixa (na verdade, algo mais próximo de Divisão da Beira Baixa, mas o cargo é referido de várias formas conforme quem escreve). É endereçada a um antigo camarada da Legião de Tropas Ligeiras, Marechal-de-Campo (major-general, hoje) António Lemos Pereira de Lacerda, secretário militar do Marechal Beresford. Em Março de 1797, quando foram nomeados os primeiros majores, capitães e oficiais subalternos, Lecor era Capitão da 8.ª companhia da Legião, e António de Lacerda era um dos Sargentos-Mor nessa unidade (Major, dir-se-ia hoje).

O texto fala por si, e ainda mais sendo uma carta pessoal a um amigo, mas importa compreender que durante todo este tempo na Beira Baixa, com pequeníssimas interrupções (excepção aos seis meses nas Linhas de Outubro.1810 a Abril.1811), Lecor em altura alguma faltou com o seu dever e missão. Se Lecor for, então, um daqueles oficiais vindos da burguesia, classe média, a chegarem a postos importantes pela primeira vez, esta carta ajuda-nos a perceber, ao pormenor, uma mudança fundamental no Exército Português:

Ill.ª Senr. Ant.º de Lemos Perr.ª de Lacerda

Meu amigo e S.r (?) do meu particular respeito, confiado no favor com que V. S.ª me honra tômo a liberdade de rogar a V. S.ª me queira dar francamente alguma ideia do estado em q se acha a mª pretenção sobre a grateficação mensal que requeri ao Illmo. e Ex.º Sen.r. Marchal Conde de Trancozo (a exemplo do Brig.do. Loubo, Marechal Victoria, Ten. Gen. Bacellar, &&) cujo requeremento tive a honra de entregar ao cuidado de V. S.ª no mez de Abril passado, por quanto quando venha a ser negativo o seu rezultado ser-me-á absolutamente nessessario procurar meios para conseguir de S. E.ª o tirar-me deste comando pois cada vez me vou empenhando mais.

Prezentemente em lugar de 5 foragens recebo só 4 por me contemplarem de Estada, ao mesmo tempo que tenho de vezitar frequentemente Capitanias-Mores, e Regimentos de Mellicias acresendo actualmente as vezitas que a Praça de Monsanto me offerece (?) aonde só no mez paçado tive de hir 7 vezes para decedir duvidas e promover os trabalhos.

Sinto entanto não ter rendas proprias para poder servir o Estado sem lhe cauzar pezo; porem quiz o Diabo que viese ao mundo este Ente dependente para andar sempre com a sella na bariga emportunando os amigos, no entanto perdoe V. S.ª a empertenencia, e queira me dar occaziões em que possa mostrar a m.ª gratidão, e a alta consideração com que sou

De V. S.ª
Am.º (...)

Carlos Frederico Lecor

Castello B.co
11 de Outubro de 1812

In: AHM-DIV-1-14-225-24 [imagens 20 a 22], Arquivo Histórico-Militar (online)

"De/com a sela na barriga"
1 Pop. Na miséria, em estado ou situação de penúria.
(iDicionário Aulete - aqui)

18 de novembro de 2010

Trilho de Papel: Infância e Juventude

Agora que me preparo para escrever a biografia de Carlos Frederico Lecor, não posso deixar de escrever aqui algumas linhas ao caro leitor acerca da verdades que não possuo ainda. A bem dizer, duvido muito que as consiga ainda descobrir, mas tentarei.

Quero-me debruçar, nesta entrada, acerca do trilho de papel nesses arquivos e que dizem respeito à infância e juventude do menino Carlos Frederico, até ao momento em que o perco.

Louis Pierre Lecor, o pai

Acerca do pai de Carlos, julgo que até terei bastante sorte em ter dados. Terá nascido em 1729, na paróquia de Saint Eustache (1er Arrondissement, em Paris). Coloco-o em Portugal apenas porque traduziu uma obra de pedagogia em 1746 (que se encontra na Biblioteca Nacional). Em 25.6.1759, casa-se, em Alfama, com Joana Francisco de Castro, mas infelizmente Louis enviúva logo 3 meses depois, a 25 de Setembro.
A 3.2.1761, Louis casa com Quitéria Luísa Marina Krusse, em Santos-o-Velho, dando início à história que eu busco.

A Família Lecor em Lisboa

Fruto do casamento de Louis e Quitéria, nasce, primeiro, o nosso herói Carlos Frederico, a 6.10.1764. No assento de baptismo, de 20 desse mesmo mês, a Rua de Pé de Ferro é indicada como a residência da família.
Dois anos depois, a 7.10.1766, nasce João Pedro. Por esta altura, a família reside na Rua de S. João da Mata. Este irmão será em 1815 o 1.º Ajudante d'Ordens de Carlos na Divisão de Voluntários que parte para o Brasil e tem a dúbia honra de estar a comandar uma formação em parada, aquando um dos ataques de epilepsia do Príncipe D. Pedro, futuro Imperador do Brasil.

Ora, em 1768, o trilho de papel começa a ficar esbatido e tortuoso. A 6.9.1768, nasce António Pedro Lecor, sendo baptizado na paróquia de Alcântara. No entanto, a residência da família é ainda Santos-o-Velho. Não faço ideia porque terão baptizado o 3.º filho numa outra paróquia, mais ainda porque a paróquia de Santos nunca cessou o seu labor.

Por esta altura, perco o trilho de papel. Os dois filhos mais novos de Louis e Quitéria - Jorge Frederico e Maria Leocádia Leonor - não os consigo encontrar. Nem em Santos, nem em Alcântara, nem na Lapa, S. Paulo, Mártires, etc. Só sei que nasceram e foram baptizados em Lisboa, porque tal é indicado nos seus casamentos, mas o trilho ficará ainda por descobrir.

A Família em Faro

Só recupero o trilho de papel exactamente no dia 7 de Janeiro de 1781, pois é nesse dia que Carlos Frederico, com pouco mais de dezasseis anos, assiste ao baptismo de Carlos Fernandes, tocando-o sob procuração da madrinha (sua tia), Basília Máxima Benedita Krusse, na Sé de Faro.

Como em todas as situações que em se recupera um trilho de papel, uma década depois, só se pode adivinhar, palpitar. Ainda assim, só perguntas permanecem e poucas respostas.

Algumas das pessoas que conviveram com os Lecor em Lisboa, aparecem em Faro antes de 1781, dando alguma ajuda.
A madrinha (e tia) de Carlos Frederico, por exemplo, Vitória Berarda Marciana Krusse, casada com o Dr. Salvador Pereira da Costa, baptiza a filha Catarina em Faro, em 25.11.1772.
Em 13.10.1778, é baptizada Clara, filha de Carlos Frederico Krusse (padrinho e tio de Carlos) e Teresa do Nascimento.

Mas quando, então, passaram a Faro os Lecor? E porque razão o fizeram?
A primeira questão pode ainda ter resposta; à segunda só se pode conjecturar quando se responder à primeira.

Concluo, pedindo desde já perdão ao caro Leitor pela pertinência duvidosa desta entrada no blogue, mas esperando cativar alguma empatia para esta minha busca de Lecor.

23 de outubro de 2010

El día que Artigas se emborrachó

Não pretendo ofender ninguém, mas apenas deixar aqui a canção "El día que Artigas se emborrachó", dos Quarteto de Nos.
A propósito, calculo que Artigas gostasse da pomada, como quase toda a gente, mas o Lecor é que foi chamado de bêbado por um anónimo no Teatro de Porto Alegre, em 1829, pouco antes de voltar ao Rio.
Seja como for, aqui ficam os Quarteto de Nos:



Este video é só para divertimento. Espero que ninguém se ofenda.