18 de abril de 2013

Campanha de Vitoria, 1813 - Trajeto da 7.ª Divisão (4 a 21de junho)



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Percurso aproximado da Brigada Portuguesa, desde o dia 4/6/1813 a 15/6/1813, numerada 6.ª alguns meses depois, comandanda por Carlos Frederico Lecor,  constituída de 2 batalhões de Infantaria 7 (Setúbal) e 19 (Cascais), cada, e o Batalhão de Caçadores 2. A Brigada pertencia à 7.ª Divisão aliada, de Lord Dalhousie.
O itinerário foi feito com base nos Supplementary Despatches, Correspondence and Memoranda of Field Marshall Arthur Duke of Wellington, K.G., Volume VII, London, John Murray, 1860, editado pelo filho, 2.º Duque de Wellington, pp. 626-sg, disponível em linha em http://books.google.pt/books?id=c5QgAAAAMAAJ.


De 4 a 14 de junho, a 6.ª Divisão seguiu a 7.ª Divisão, no mesmo percurso, mas no dia 15, último dia do percurso agora mostrado, juntam-se a 7.ª e 6.ª à 3.ª Divisão (Picton). 
Durante muita da parte inicial do percurso, a 7.ª e 6.ª Divisão tiveram a Brigadas de Cavalaria do general Alten e a dos Hussardos (Grant) na sua vanguarda. A utilização da cavalaria era vital para o plano de Wellington no sentido de mascarar toda a infantaria de linha que avançava, escondendo-a dos franceses.

Itinerário 
4/6 - Gallegos [Vilarinho dos Galegos] > St. Salvador > Villasexmir
5/6 - Peñaflor [de Horniga] > Torrelobaton
6/6 - > Villalba [del Duero]
7/6 - Villalbla [del Duero] > Villamuriel [de Cerrato]
9/6 - > Tamarra [Támara de Campos]
10/6 - Tamarra > Itero de La Vega/Itero del Castillo
(Alto)
12/6 - > Villoleda
13/6 - > Olmillos [de Sasamón]/ Sasamón
14/6 - > Villadiego > Villanueva de Puerta
15/6 - > San Martin de Helines [Elines]
16/6 - > Villarcayo 


* * *



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16/6 - Villarcayo
18/6 - La Cerca > Salinas de Rósio > Castrobarto
19/6 - Castrobarto > Berberana
20/6 - Berberana > Guilerti [Gillarte] > Sta. Eulalia > Jocano [Jokano] > Apricano [Aprikano]
21/6 - > Anda > Los Guetos [Hueto Arriba & Hueto Abajo] > Mendoza > Vitoria

Este itinerário foi feito com base nos Supplementary Despatches, Correspondence and Memoranda of Field Marshall Arthur Duke of Wellington, K.G., Volume VII, London, John Murray, 1860, editado pelo filho, 2.º Duque de Wellington, pp. 626-sg, disponível em linha em http://books.google.pt/books?id=c5QgAAAAMAAJ.


Rumo ao bicentenário da Batalha de Vitoria. 1813-2013. 

14 de abril de 2013

Itinerários de Carlos Frederico Lecor - 1812

Jardim do Paço Epicospal, Castelo Branco (Wikicommons)

Intinerário de Lecor, 1812

Após um breve comando da futura 6.ª Brigada (Infantaria 7 e 19, 2 batalhões cada + Caçadores 2), pertencente à 7.ª Divisão, Lecor é nomeado, em abril de 1811, pela terceira vez, para o comando militar territorial na Beira Baixa, nomeadamente uma Divisão de Milícias, constituída pelos regimentos de milícias de Castelo Branco, Idanha e Covilhã (que ele havia comandando antes nas Linhas de defesa, na zona do Sobral/Alhandra).

1.1.1812 - Castelo Branco
26.1.1812 - Castelo Branco
4.2.1812 - Castelo Branco
5.2.1812 - Castelo Branco
24.2.1812 - Castelo Branco
25.2.1812 - Castelo Branco
15.3.1812 - Castelo Branco
16.3.1812 - Castelo Branco
6.4.1812 - Castelo Branco
7.4.1812 - Castelo Branco
11.4.1812 - Castelo Branco (retira nesse dia para Vila Velha, face à aproximação da 2.ª Divisão do Armé de Portugal, comandando por Clausel, e parte de uma incursão liderada por Marmont, que alguns chamam a 4.ª Invasão Francesa).

Nota: Em carta ao Lord Liverpool, Wellington refere o dia 12/4 como a data da entrada dos franceses em Castelo Branco e a retirada ordeira de Lecor. Na verdade, em carta do próprio a D. Miguel Pereira Forjaz, Lecor indica a data de 11/4 como a da retirada de Castelo Branco.

12.4.1812 - Vila Velha de Ródão (no mesmo dia, combinado com o 1st Hussards da King's German Legion, passou ao Passo da Milhariça, na estrada de Castelo Branco para Lisboa, na serra do Muradal)
13.4.1812 - Castelo Branco (reentrada em Castelo Branco, após retirada de Clausel)

Nota: Clausel, e a 2.ª Divisão, retiram de Castelo Branco, a ordens do Marechal Marmont, ao terem conhecimento da queda de Badajoz, a 6/4, 7 dias antes. O alívio ao Cerco de Badajoz, que decorria desde 16 de março era um dos dois objetivos da invasão de Marmont; o outro era forragem.

14.4.1812 - Castelo Branco (anúncio de reentrada em Castelo Branco)
15.4.1812 - Castelo Branco 
14.5.1812 - Castelo Branco
1.6.1812 - Castelo Branco
2.6.1812 - Castelo Branco
3.6.1812 - Castelo Branco
4.6.1812 - Promoção a Marechal de Campo (equivalente ao atual Major-General)
6.6.1812 - Castelo Branco
8.6.1812 - Castelo Branco
18.8.1812 - Castelo Branco
23.9.1812 - Castelo Branco
9.10.1812 - Castelo Branco
11.10.1812 - Castelo Branco

(...)

Nota: todas as datas são extraídas de documentos primários e secundários que estão devidamente identificados por mim. Apenas não os coloco por razões de conforto de leitura. Estou, no entanto, sempre ao dispor de qualquer interessado em facultar as referências bibliográficas.

Itinerários de Carlos Frederico Lecor - 1811

Sé de Castelo Branco (Wikicommons)

Itinerário de Lecor 1811

10.2.1811 - Sobral Pequeno (atual Sobralinho), ao comando de uma divisão de Milícias e Infantaria 12.
(3.3.1811 - Wellington, em carta a Beresford, fala do desejo do governo português de nomear Lecor para o Governo de Armas do Minho, expressando discordância.)
8.3.1811 - Sobral Pequeno (Sobralinho)
14.3.1811 - Nomeação para o comando da Brigada portuguesa da recém-formada 7.ª Divisão do exército Aliado.
20.3.1811 - Em carta a Beresford, Wellington refere a intenção de nomear Lecor para, de novo, comandar tropas na Beira Baixa. Refere também que Lecor não quer deixar de comandar a Brigada portuguesa da 7.ª Divisão, mas que o irá chamar e falar com ele acerca dessa eventualidde.

De abril de 1811 a abril de 1813 - 3.º e último período de comando de tropas na Beira Baixa.

13.4.1811 - Wellington informa Beresford que já deu ordens a Lecor para o seu novo comando na Beira Baixa.
16.4.1811 - Vilar Maior (ainda comandante da Brigada portuguesa da 7.ª Divisão)
3.5.1811 - Batalha de Fuentes de Onõro (Lecor já não comandava a Brigada Portuguesa da 7.ª Divisão)
8.5.1811 - Promoção a Brigadeiro
31.5.1811 - Castelo Branco
(...)
24.7.1811 - Castelo Branco
31.7.1811 - Castelo Branco
14.8.1811 - Castelo Branco
8.9.1811 - Castelo Branco
11.9.1811 - Castelo Branco
23.9.1811 - Castelo Branco
29.9.1811 - Castelo Branco
30.9.1811 - Castelo Branco
20.10.1811 - Castelo Branco
28.11.1811 - Castelo Branco
1.12.1811 - Castelo Branco
24.12.1811 - Castelo Branco
25.12.1811 - Castelo Branco

Nota: todas as datas são extraídas de documentos primários e secundários que estão devidamente identificados por mim. Apenas não os coloco por razões de conforto de leitura. Estou, no entanto, sempre ao dispor de qualquer interessado em facultar as referências bibliográficas.

20 de janeiro de 2013

Entrada em Montevidéu - 20.1.1817

"Na segunda-feira, 20 de janeiro de 1817, ao romper do sol, se formaram os Corpos no maior asseio possível, a fim de seus respectivos Comandantes lhes passarem as competentes revistas, e depois de reunida toda a Coluna, pôs-se ele em marcha para a Capital da Banda Oriental.
Às 9 horas, o Major Manoel Marques de Sousa, à frente de um esquadrão de cavalaria da Legião de São Paulo [oficialmente Legião de Voluntários Reais, criados em 1775 - futuro 3.º Regimento de Cavalaria de 1.ª linha do Império] e de outro de Voluntários do Rio Grande [criados em Vaimão, RS, em 1770 - futuro 4.º Regimento de Cavalaria de 1.ª linha do Império], fez alto junto às trincheiras da cidade.
Às 11 horas, chegou o Tenente-General Lecor com o grosso da Divisão de Voluntários Reais e as Tropas brasileiras postas à sua disposição.
O Síndico Bianquini, ao entregar-lhe as chaves da cidade, disse:

De acordo com a vontade do povo, de que somos representantes, entregamos as chaves desta muito fiel, reconquistadora e benemérita Cidade de São Filipe e Santiago de Montevidéu ao muito alto e poderoso Príncipe D. João VI, rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, evocando a proteção de suas armas para esta Província infeliz, certo de que Sua Majestade Fidelíssima respeitará as nossas leis, usos e costumes, e esperando que, no caso de resolver Sua Majestade para o futuro a evacuação desta praça, devolverá ao Cabildo estas chaves que dele recebe.

O General Lecor, saudado como libertador, [...], foi conduzido debaixo de pálio e assim levado à Matriz, onde se entuou Te-Deum; depois a Tropa percorreu algumas ruas do centro da cidade e, à excepção da Coluna de Vanguarda que se aquartelou na Cidadela, foram as Unidades formar uma linha cerca de uma légua da praça, cobrindo os subúrbios, todos com postos avançados.
Consumira a Divisão de Voluntários cerca de sete meses incompletos para deslocar-se de Santa Catarina até Montevidéu."

Excerto tirado de: Gen. Paulo de Queiroz Duarte (1984), Lecor e a Cisplatina 1816-1828 (Volume I), Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército - p. 247
Imagem, de gravura de Gilberto Bellini, desconheço a fonte de onde foi retirada (encontrei-a na wikipedia em língua espanhola), representa a entrada das tropas luso-brasileiras em Montevidéu.

Tropas sob o comando de Lecor à entrada em Montevidéu

Divisão de Voluntários Reais
1.ª Brigada de Infantaria:
- 1.º Regimento de Infantaria ... 1,040
- 1.º Batalhão de Caçadores ... 712
2.ª Brigada de Infantaria:
- 2.º Regimento de Infantaria ... 1,076
- 2.º Batalhão de Caçadores ... 615
Cavalaria ... 756
Artilharia ... 233
(Total de 4,432 efectivos)

Unidades Brasileiras
Batalhão de Infantaria do Rio Grande ... 220
Esquadrão de Cavalaria do Rio Grande ... 113
2 Esquadrões da Legião de São Paulo ... 54
2 Esquadrões da Milícia do Rio Grande ... 196
Companhia de Artilharia a Cavalo ... 62
Guerrilhas do Rio Grande ... 17
(Total de 662 efectivos)

Grande total de 5,094 efectivos

29 de abril de 2012

Juliana e Lecor

No passado dia 12 de abril, José Norton apresentou o seu novo livro "Juliana, Condessa Stroganoff", a biografia de D. Juliana, conhecida mais comummente pelos portugueses como a infame Condessa de Ega. 

José Norton desmonta brilhantemente a cabala histórica que os românticos, primeiro, e todos os outros depois montaram contra Juliana. Para lá da pretensa amante de Junot, frívola e rebelde aristocrata mimada e caída em desgraça, o autor mostra a mulher, apenas e só, fruto das circunstâncias do seu tempo, das ações do seu marido e, principalmente, da educação numa das mais mais progressivas famílias aristocratas portuguesas.

Já habituado à qualidade e fluidez da escrita de José Norton, é suficiente dizer que li este livro em três dias e não fosse pelo meu trabalho teria lido em menos tempo. Pese embora a falta de referências diretas que possam ajudar outros investigadores a ir aos documentos primários - única falha que humildemente aponto, não se deixa de notar a exaustiva pesquisa que o autor levou a cabo e que o faz produzir uma obra num género que deixou saudades com Raul Brandão no início do seculo XX e que recomeça agora a apelar ao gosto dos portugueses pelos tempos idos da gloriosa (digo eu) transição do antigo regime para o liberalismo. A Não-Fição Histórica portuguesa está pois viva e ganha terreno aos romances históricos, bendita seja Clio, a musa da História.

Porque esta postagem não pretende ser uma crítica, há que chegar ao ponto que me traz aqui: Lecor. O nosso amigo Carlos Frederico aparece neste livro, muito da mesma forma que apareceu em "O Último Távora", do mesmo autor. Um personagem secundária, inevitável na medida em que era amigo da família e frequentava a casa desde finais do século XIX. Como primeiro ajudante de ordens do Marquês de Alorna, D. Pedro, desde pelo menos 1805, Lecor frequentava o círculo íntimo da Casa de Alorna e Fronteira e era por todos eles considerado e de extrema confiança para quase todos os assuntos sensíveis.

O papel de Lecor foi o de ligação entre a mãe de Juliana, a futura 4.ª marquesa de Alorna, exilada em Londres e Juliana, no momento em que as forças inglesas derrotaram os franceses em Roliça e Vimeiro, no verão de 1808 e se desmontava o governo francês sobre Portugal, na sequência da Convenção de Sintra. 

Lecor, no âmbito da segunda vaga de fugas ao domínio francês, por alturas da Páscoa de 1808, havia fugido para Londres com o objetivo de viajar depois para o Brasil. Durante os 3 meses que permaneceu na Inglaterra, além de participar na formação da Leal Legião Lusitana (LLL), esteve em contato com a mãe de Juliana e ao voltar para Portugal, na companhia do 1.º batalhão da LLL, trouxe cartas de vital importância para as filhas da futura marquesa de Alorna, e especialmente Juliana, casada que era com um dos mais prolíferos e voluntariosos colaboradores de Junot, o conde de Ega.

Um primeiro ponto importante, que José Norton deixa em aberto é a data de chegada de Lecor a Portugal. De facto, Lecor chega ao Porto no dia 18 de agosto de 1808, na companhia de vários oficiais, nomeadamente Sir Robert Wilson que é nomeado semanas depois comandante da LLL pelo Bispo do Porto. Esta informação foi-me gentilmente passada por Moisés Gaudêncio, historiador desta época e especialmente da Legião, com base na biografia de Wilson, "A Very Slippery Fellow", de Michael Glover (a viagem dura 9 dias). A questão é que Lecor vinha com uma missão mais importante, a de preparar um segundo batalhão da LLL e de preparar a chegada do primeiro, organizado em Plymouth.

No livro, através de uma carta de uma das irmãs de Juliana, Frederica, sabe-se que Lecor entrega eventualmente as cartas incluindo a destinada a Juliana, já embarcada no navio inglês que a levaria para a França. Fá-lo decerto só após concluir as suas tarefas no âmbito da LLL, que incluiu algum tempo passado no Porto e uma posterior viagem, a 24 de agosto, ao Ramalhal, acompanhando Wilson, para conferenciar com o General Dalrymple, comandante das forças inglesas em Portugal.

De acordo com a carta de Frederica à mãe, nos inícios de Outubro, é referido que Lecor entrega as cartas, mas tarde demais para que se possa entregar a destinada a Juliana, que havia partido a 15 de setembro com destino a França.

Em relação a Carlos Frederico Lecor, não se sabe se acompanhou Sir Robert Wilson ao Ramalhal a 24.8.1808, ou se ficou no Porto a tratar dos assuntos da Legião (o que é bem mais provável). Seja como for, ele entregou as cartas no início de Outubro, tarde demais para Juliana, se bem que creio que pouca influência teria no destino dos condes de Ega.

Lecor poderia ter enviado as cartas por correio de confiança de Porto para Lisboa, mas creio que a sensibilidade das mesmas e a necessidade de as entregar em mãos só permitiu que ele as entregasse ele próprio quando pode finalmente ir a Lisboa, tarde demais para que chegassem a Juliana.

Aqui está, pois, o meu pequeno contributo no que tange ao papel de Lecor nesta história. Espero que complemente a leitura de "Juliana, Condessa Stroganof", livro que recomendo vivamente aos caros leitores deste blogue.

José Norton, Juliana - Condessa de Stroganoff, Filha da marquesa de Alorna, A vida da portuguesa mais influente da Europa no século XIX. Edição: 2012; Páginas: 440; Editor: Livros d'Hoje; ISBN: 9789722047944.

28 de abril de 2012

O Último Comando de Lecor


A 18 de agosto de 1835, a meros 11 meses e meio da sua morte e contando quase 71 anos de idade, Carlos Frederico Lecor é nomeado Comandante Superior da Guarda Nacional do Município do Rio de Janeiro. Este é o seu último comando, sendo incerto se chegou a assumir as suas funções.

A Guarda Nacional, constituída pelas antigas 2.ª e 3.ª linhas (as Milícias e as Ordenanças), é fundada pela Regência a 15.8.1831, após a abdicação do Imperador D. Pedro I. Nesse contexto, a Guarda Nacional, tendo nas suas fileiras as classes mais abastadas, apareceu como uma forma de contrabalançar os possíveis ímpetos restauracionistas do Exército, constituído pelas classes mais baixas. Funcionava como uma força militarizada ao serviço dos órgãos do poder judiciário, desde o Ministério da Justiça aos juízes da paz e apenas assumia um caráter mais operacional, do ponto de vista militar, quando a 1.ª linha (o Imperial Exército) se encontrava em campanha.

Quatro anos após a fundação, é interessante que o Marechal Lecor se veja nomeado Comandante Supremo da Guarda Nacional na capital do império, pois demonstra claramente que apesar de ser nascido em Lisboa, e não ser brasileiro nato, era bastante considerado pelos poderes estabelecidos após a abdicação de D. Pedro para que um posto de tal confiança lhe fosse atribuído. 

Falamos de uma época histórica onde o partido brasileiro e o português (ou 'caramurú', ou restaurador), para além dos radicais, se degladiavam pelo poder. Apenas três anos antes, pela residência de Lecor e Rosa, sua esposa, junto à ponte do Aterrado, km e meio a oeste do que é hoje a Central do Brasil, passaram excitados, dando vivas a D. Pedro I, e voltaram derrotados e feridos uma partida de 100 homens liderados por um hanoveriano dito Barão de Bulow, tendo sido de permeio derrotados por 200 guardas municipais e outras forças, no Rossio (hoje Pç. Tiradentes).

Não sei se Lecor chegou a assumir este comando importante, pois as fontes indicam que ele faleceu após doença prolongada. Ainda assim, é de crer que sendo o cargo de relevância mais cerimonial que operacional, o velho soldado o tenha assumido nas oportunidades que a doença lhe terão aberto. Assim foi o último comando do nosso amigo Carlos Frederico.

Imagem
- Fuzileiros, Guarda Nacional (1840-1845), Ofic. Brito & Braga (fonte: wikicommons)

22 de abril de 2012

Carta de 14 de abril de 1812

«Illmo. e Exmo. Senhor

Tenho a honra de participar a V. Ex.ca. para por na prezença de S. A. Real que tendo o inimigo entrado em Alpedrinha no dia 10, como participei a V. Ex.ca. no meu ultimo officio, no dia immediato ás 2 horas da tarde avistei duas Columnas, que se dirigião a esta cidade pella estrada de Alcains, cobrindo a sua vanguarda com 6 esquadrões de Cavallaria.

As forças disponiveis das Millicias, com que me achava, não excedião os 1600=homens: era pois d’absoluta necessidade o retirar-me: a voz de marcha foi dada dipois da Guarda avançada inimiga ter entrado na cidade, e a Divisão de Millicias do meu commando cobrindo todo o trem dos Hospitais, alguns generos, e duentes, marchárão na milhor ordem para Villa Velha ahonde premaneci athe pella manhãa seguinte em quanto desfilou pella ponte os combois, gados, e toda a gente que por aquelle ponto pertendeu salvarse, e dipois combinando-me com o 1.º Regimento de Hussares que passou do sul do Tejo, fui occupar o Passo da Milhariça para me por ao alcance de poder executar as ordens superiores de que estava munido. //

A boa vontade e dispozição que observei em geral nos Millicianos, e a boa ordem com que executárão a retirada á vista do inimigo com o vagar que exigia a marcha de hum comboi de carros, faz o elogio desta tropa, e dá bem a conhecer do quanto são suceptiveis.

O inimigo logo que se me reunio alguma Cavallaria do 1.º de Hussares, não se atreveu a avançar. Hontem pella manhãa se retirou desta cidade em direcção a Penamacor com alguma precipitação [1].

DGVE muitos anos.
Castello Branco, 14 de Abril de 1812
Illmo. e Exmo. Snr. Dom Miguel Pereira Forjaz

Carlos Frederico Lecor
Brigadeiro»

[1] As forças francesas tinham tido, nesta altura, a informação que Badajoz havia sido tomada a 7 de abril, pela força principal anglo-portuguesa.

(fonte: Arquivo Histórico-Militar, AHM/DIV/1/14/097/42 [ff 21-22])