24 de setembro de 2018

A Vida e Tempos de Carlos Frederico Lecor



MARECHAL DO EXÉRCITO CARLOS FREDERICO LECOR
VISCONDE DA LAGUNA, COM GRANDEZA

* Grã-Cruz Honorário da Ordem Militar da Torre e Espada (Portugal)
* Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro (Brasil)
* Comendador da Real Ordem Militar (Portugal) e de Imperial Ordem de São Bento de Aviz (Brasil)
* Medalha de Comando da Guerra Peninsular por 4 acções (Vittoria, Pyreneos, Nivelle e Nive) (Portugal)
* Cruz da Guerra Peninsular n.º 1, de Ouro, para 6 Campanhas (Portugal)
* Army Gold Medal (por três acções: Pyrenées, Nivelle e Nive) (Grã Bretanha)
* Medalha de Distinção do Exército do Sul (Brasil)


I. Infância e Juventude (1764-1793)

CARLOS FREDERICO LECOR, primeiro filho de Luiz Pedro Lecor e D. Quitéria Luísa Marina Lecor nasceu a 6 de outubro de 1764, em Santos-o-Velho, Lisboa, na rua do Pé de Ferro, vizinha do convento das Trinas do Mocambo. Muda-se para Faro com a sua família algures na década de 1770. 

Após os estudos iniciais, terá trabalhado como caixeiro na companhia do tio, assim como viajado pelo norte da Europa, mas preferiu alistar-se e jurar bandeiras, aos 29 anos, como soldado de artilharia Pé de Castelo, na Fortaleza de São João do Registo da Barra de Tavira, a 13 de outubro de 1793. 

II. Subalterno (1794-1797)

A 17 de março de 1794, já sargento, é promovido a Ajudante de infantaria com exercício na Praça de Vila Nova de Portimão pelo Capitão General dos Algarves, que já havia patrocinado os seus três irmãos meses antes, recebendo a sua carta patente de ajudante, a primeira como oficial, a 6 de abril. 


A 5 de outubro de 1794, é admitido na Real Academia de Marinha, como discípulo do primeiro ano do curso de Marinha, tendo sido ‘plenamente aprovado’ no exame de admissão. A 2 de dezembro desse ano de 1794, troca com o 1.º tenente António Pimentel do Vabo e torna-se o 1.º tenente da 9.ª companhia do Regimento de Artilharia do Algarve, em Faro. 

Entre Portimão e Lisboa, conclui o 1.º ano na Real Academia, sendo aprovado no exame final, por volta de Junho, estando assim habilitado “a ouvir as Liçoens do segundo anno”,o que não vem a fazer, pois nos finais de dezembro, embarca na Esquadra do Brasil

Até julho de 1796, serve como 1.º tenente de artilharia, destacado do seu regimento, na nau Príncipe Real. Viaja de Lisboa a Salvador, retornando já em 1796. Segundo é referido por algumas fontes, ficou de baixa ao serviço a partir de junho de 1796. 

III. Capitão nas Tropas Ligeiras (1797-1805)

A 1 de março de 1797, é promovido a capitão da 8.ª companhia de infantaria da Legião de Tropas LigeirasParticipa na campanha de 1801, a Guerra das Laranjas, na fronteira de Zibreira, próximo a Castelo Branco. A 13 de maio de 1802, é promovido a sargento mor de cavalaria da Legião. 

IV. Ajudante de Campo (1805-1808)

Três anos depois, a 1 de agosto de 1805, é promovido a tenente coronel agregado à Legião, ajudante d’ordens do novo Vice Rei do Brasil, o marquês de Alorna. Apesar de Alorna não tomar posse do comando no Brasil, Carlos Frederico mantém o exercício junto a Alorna, que vem a ser nomeado Governador d’Armas do Alentejo. Antes de se reunir ao seu general, Lecor comanda interinamente a Legião, até que o barão de Wiederhold assume o comando.


Punhete, junto ao Tejo.
Em 1807, é Lecor o oficial que identifica as forças francesas já bem dentro de Portugal, em Vila Velha de Ródão, a 21 de novembro, correndo a avisar o Secretário de Estado dos Negócios da Guerra, D. António de Araújo Azevedo, e o Príncipe Regente D. João, o que consegue fazer pela manhã de 23, em Lisboa. O seu relatório e posterior reconhecimento na área do Cartaxo e Golegã foi essencial para acautelar a plena segurança do embarque da Corte. 

Depois de 29 de Novembro, mantém-se como ajudante d’ordens do marquês de Alorna, colaborando com a ocupação francesa, até que foge, na Páscoa de 1808, em direção à esquadra britânica do almirante Sir Sidney Smith, para tomar o exílio em Plymouth. Após a revolta e criação da Junta do Porto, o tenente coronel Lecor desembarca no Porto, com a incumbência de promover a formação do 2.º batalhão da Leal Legião Lusitana, que havia ajudado a criar em Plymouth e Londres. 

V. Guerra Peninsular (1808-1812)


A 20 de novembro de 1808, no processo de reorganização do Exército, é promovido a coronel comandante do Regimento de Infantaria n.º 23, em Almeida. A 2 de fevereiro do ano seguinte, é feito comandante de brigada das unidades presentes na Beira Baixa, sedeando-se primeiro em Idanha a Nova e depois em Castelo Branco. Participa na campanha de 1809, comandando a brigada constituída pelos Batalhões de Caçadores 3 e 4, a um momento, e 4 e 6, noutro, juntamente com o 2.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 9. 
Em fevereiro de 1810, a brigada Lecor, constituída pelos Regimentos de Infantaria n.º 12 e 13, fica posicionada na serra do Muradal, em 2.ª linha face ao comando do general Roberto Wilson na área de fronteira de Castelo Branco. No mês seguinte, Lecor leva a sua brigada para Castelo Branco, substituindo a brigada Wilson. Na campanha de 1810, a brigada Lecor, com a adição de um batalhão cada dos Regimentos de Milícias de Castelo Branco, Idanha e Covilhã, é subordinada ao general Rowland Hill, desembocando na batalha do Buçaco, a 27 de setembro de 1810, onde não combate, retirando depois até aos primeiro dias de outubro para as linhas defensivas, em Alhandra, no extremo direito, junto ao rio Tejo. 

Rio Pônsul, junto a Idanha a Nova.
A 5 de março de 1811, é nomeado comandante da brigada portuguesa da nova 7.ª Divisão anglo-portuguesa, mas em abril desse ano, antes da batalha de Fuentes de Honor, é de novo nomeado comandante militar da área de Castelo Branco, com os regimentos de milícias da área. Dois meses depois, a 8 de maio, é promovido a brigadeiro. Ainda no mesmo exercício, reage com muito atino, sangue frio e respeito pelas ordens na incursão francesa de abril de 1812, do marechal Marmont, sobre a Guarda e Castelo Branco, reagindo com calma e sem baixas. 
Em Outubro de 1812, é feito Comendador Honorário da Ordem da Torre e Espada.

VI. Campanhas de Espanha e França (1813-1814)

Em março de 1813, nas vésperas do início da campanha desse ano, é novamente nomeado comandante da brigada portuguesa da 7.ª Divisão, tendo participado nas batalhas de Vitória e dos Pirinéus. A 10 de julho, é promovido a marechal de campo.  A 10 de novembro de 1813, é o comandante interino da 7.ª Divisão anglo-portuguesa na batalha de Nivelle, sendo assim o único general português em toda a Guerra Peninsular que comanda uma divisão dos dois exércitos. No início de dezembro, com a nomeação do general George Walker, retorna ao comando da agora 6.º Brigada, mas é logo nomeado comandante da Divisão Portuguesa. 


Batalha de St. Pierre.
A 13 de dezembro desse ano, na batalha de S. Pierre, última parte da batalha do Nive, comanda a Divisão Portuguesa, nomeadamente a brigada do Algarve (Regimentos de Infantaria 2 e 14) no centro, ordenando até uma carga do 2.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 14, para desembaraçar o 1.º batalhão, de voltigeurs franceses que atacavam. É ferido sem gravidade.

Comanda a divisão até ao fim da guerra, em abril de 1814, retornando a Portugal nos meses seguintes, como o oficial português mais graduado do exército em operações. Pouco tempo depois de chegar a Lisboa, é nomeado governador da praça de Elvas, em 28 de agosto.

VII. Os Voluntarios Reaes (1815)

Em Junho de 1815, alguns meses depois de tomar posse do cargo de governador de Elvas, Carlos Frederico é promovido a tenente general e nomeado comandante em chefe da Divisão dos Voluntários Reais do Príncipe, uma grande unidade com cerca de 5000 homens, destinada ao Brasil. O seu nome foi avançado logo no Dezembro anterior, quando as ordens do governo do Rio foram assinadas.

De Julho a Dezembro, esteve em Belém, a superintender o treino, adestramento e equipamento da grande unidade, tendo partido de Lisboa no início de 1816, com a maior parte desta. Entre as muitas preocupações de adestrar a força militar, Lecor preocupava-se com a saúde dos seus homens tendo feito vacinar muitos soldados, dando ele o exemplo. Por isso foi feito Correspondente da Academia Real de Ciências.

Chega ao Rio de Janeiro no início de Abril de 1816, sabendo nessa altura que a rainha D. Maria havia falecido. Apesar dessa triste notícia, estes são momentos de grande alegria no Rio de Janeiro, Entre os muitos momentos de festa e de gala, como o desfile e brinco de 13 de Maio, imortalizado num óleo de Jean-Baptiste Debret, beija mãos e jantares diplomáticos, a Divisão mantinha treinos quase diários.


A 12 de Junho, finalmente, a Divisão, embarcada de novo na esquadra, zarpa do Rio com destino a Santa Catarina, onde chega em Julho. Por esta altura, o objetivo da Divisão é já perfeitamente claro e definido: a tomada de Montevideu e da Banda Oriental e a instalação de uma capitania-general sob a liderança de Carlos Frederico Lecor.

VIII. Campanha de Montevideu (1816-1821)

Soldado da DVR

Nos começos de Julho, quando a esquadra começa a chegar à Vila Nova do Desterro (hoje, Florianópolis), logo começa a desembarcar no continente o primeiro destacamento de vários que teriam de marchar a pé os cerca de 700 quilómetros que permeiam entre S. Catarina e a vila do Rio Grande.

Já a ação começava no sudoeste do Rio Grande, com a batalha de Carumbé a 27 de Outubro, só nessa altura a Divisão se pôde apresentar toda em território inimigo. Após a batalha de India Muerta, a 19 de Novembro, em que o n.º 2 de Lecor, Sebastião Pinto de Araújo Correia, destrói a única ameaça naquela parte do país, o caminho para Montevideu ficou amplamente livre, buscando Lecor mais entendimentos políticos que o domínio pela força das armas.

A 20 de Janeiro de 1817, seis meses após o previsto, Lecor e os Voluntarios Reaes entram na cidade de Montevideu sem disparar uma bola, sob o pálio e recebido pela maioria do cabildo municipal. A norte, duas semanas antes, o marquês de Alegrete destruía as forças de Artigas em Catalán. 

Começa então o que Falcão Espalter chama de Vigia Lecor, o período de Carlos Frederico Lecor como capitão general da Banda Oriental. O general, alto, loiro e de olhos azuis, cultivava as relações sociais com a burguesia da cidade e fez-se rodear de colaboradores locais de grande valia, que por sua vez o ajudava a criar ainda mais alianças. A 6 de Fevereiro de 1818, Carlos Frederico Lecor é feito Barão da Laguna, por ocasião da cerimónia de aclamação do rei D. João VI. A 3 de Dezembro, casa com D. Rosa Maria Josefa Deogracias de Herrera y Basavilbaso.


Após o fim do conflito, em 1820, com a batalha de Tacuarembó, ganha pelo Conde da Figueira, homólogo de Lecor no Rio Grande, a oposição federalista de Artigas cai por terra de vez. Daí por um ano, consegue a integração da Banda Oriental no Reino do Brasil, sob o nome de Cisplatina.
É feito Grã Cruz Honorário da Ordem da Torre e Espada a 15 de Novembro de 1820.

IX. A Brasileia Liberdade (1822-1828)

Carlos Frederico acompanha o evoluir da situação política no Rio, desde que D. João VI retorna a Portugal, e quando a independência vem, apoia D. Pedro, sai de Montevideu para Canelones, dois dias depois do 7 de Setembro, sob o pretexto de uma revista e assume o comando das forças brasileiras independentes, saudando o novo Império.

Em Dezembro de 1822, é feito oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro. No início de 1823, o seu título de Barão da Laguna é confirmado, recebendo pela mesma altura as honras de Grande do Império.

Monta sítio à sua velha conquista e nos finais de 1823 chega a entendimento de paz com o que resta dos Voluntários Reais, concluindo assim o último ato militar da Guerra da Independência. Os portugueses evacuam Montevideu em 1824, sendo esta a última força militar portuguesa efetiva presente no Brasil.

Em 1825, o título de Lecor é elevado a Visconde da Laguna com Grandeza, que o equipara protocolarmente a conde. Nesse ano, os 33 orientais desembarcam na agora Cisplatina com o fim de recomeçar a luta e libertar de vez a Banda Oriental do Uruguai para a trazer de volta à Argentina. Carlos Frederico é nomeado em Abril de 1826 para comandante do Exército do Sul e viaja para Porto Alegre apenas em Agosto. Apesar de Lecor ser recebido no Rio Grande como um herói e garantia de salvação, o seu trabalho é encurtado quando o D. Pedro o demite do cargo um mês depois, numa audiência em Porto Alegre em o imperador não lhe terá mostrado mais que frieza e desprezo.

Magoado, Carlos retorna a Montevideu, decerto pensando ser esse o fim da sua carreira. Entretanto, o exército é derrotado em Itazuangó (ou Passo do Rosário), em Fevereiro de 1827, sob o comando de Barbacena. D. Pedro sente então a necessidade de readmitir o velho general em Agosto. Lecor, vindo do Rio de Janeiro assume o comando do Exército do Sul apenas em janeiro de 1828. 

Lecor vê-se no entanto com a tarefa dupla de cuidar de um exército cansado e desagregado, e de evitar mais ações desnecessárias, face a um paz que estava já a ser negociada em Londres. Finalmente a paz vem nos finais de 1828 e a sua carreira militar, apesar deste breve segundo fôlego, termina.

X. Soldados Velhos não Morrem... (1829-1836)

Em 1829, embarca em Porto Alegre para o Rio de Janeiro onde viverá até ao fim. É sujeito a um Conselho de Guerra Justificativo, muito em consequência de um conflito que manteve com o seu n.º 2 no Rio Grande, Gustavo Braun (ou Brown). É absolvido, congratulado e reformado na patente de Marechal do Exército, o mais alto do Exército.

O agora Visconde de Laguna com Grandeza, residia na rua do Aterrado junto à ponte, ligeiramente afastado do centro do Rio, com a sua jovem esposa. Tudo indica que se manteve afastado da política, mais não seja porque, após a abdicação de D. Pedro, a regência, que governava o Brasil na menoridade de D. Pedro II, o nomeou Comandante Superior da recém-criada Guarda Nacional do Rio de Janeiro. O cargo era honorífico, mas uma prova que o velho general era ainda digno da confiança do poder.

Nem um ano depois, Carlos Frederico Lecor deixou viúva a sua esposa, falecendo na sua casa a 2 de Agosto de 1836, com 71 anos e 10 meses. Sabe-se que a sua doença foi prolongada, mas não qual a causa de morte. Não deixou descendência.


* * *


Editor: Jorge Quinta-Nova [mail]


Historiador Militar e Local, baseado em Queluz, com especial interesse no Exército Português dos finais do Antigo Regime (1790-1830) e com um forte centro gravitacional no trabalho biográfico em torno do Marechal Lecor e dos seus irmãos. 
Formado em Línguas, a linguagem dos relatórios e outros documentos, mesmo familiares é também um fator determinante no gosto pela área. Estuda também a Falerística, a disciplina que estuda as ordens, condecorações e medalhas, assim como distintivos ou emblemas de honra, tentando contribuir há alguns anos para a divulgação das condecorações e ordens militares portuguesas, assim como particularmente para a tipificação dos modelos e cunhos da Medalha Militar (1863-1911) monárquica. Adicionalmente, trabalho sobre a Guerra da Sucessão Espanhola e a Campanha do Algarve, entre Junho e Julho de 1833, na Guerra Civil.

23 de setembro de 2018

Carta da Viscondessa da Laguna à cunhada, D. Inés (6 de Dezembro de 1836)


Carta da viscondessa da Laguna, Rosa Maria Josefa Deogracias de Herrera y Basavilbaso Lecor, à sua cunhada, Inés Pérez Muñoz, quatro meses após o falecimento do visconde, Carlos Frederico Lecor.

"Rio Janeiro 6 de Diciembre de 1836.

Mi querida hermana

Mucho te agradezco el interés q.e tomas en mi desgracia. El estado en q.e ha quedado mi corazón és ciertamente digno de lástima mi cara Inés, yo quería mucho al Visconde y era por el idolatrada, ¿que mas podía apetecer ni q.e me podrá hoy consolar? 

Mas en fin, querida Amiga, esto mismo me alivia, porq.e nunca puede ser una Muger tan querida sin merecerlo; así pues, la idea de haber hecho su felicidad, me conforta, y el cariño de ustedes me hará pasar el resto de mi vida conforme y tranquila. 

Estimo mucho el estado de buena salud de mis sobrinitos [Juan José, Luis Pedro, María, y Alfredo de Herrera y Perez], así como el cariño q.e has sabido infundirles hácia mi. Los hijos de mi hermano [Luis] siempre serían muy caros a mi corazón querida Inés, mas siendo estos tambien tuyos, tienen mucho mas derechos a mi cariño, y te aseguro, q.e siento por ellos un afecto q.e no te puedo explicar, así como el deseo de conocerlos y abrazarlos. 

Entre tanto que no llega ese dia, dispon como gustes dela verdadera amistad q.e te profesa tu Hermana y antigua Amiga, ROSA"

(Archivo particular de la señora Manuela de Herrera de Salterain, Montevideo).

In: Salterain y Herrera; Eduardo de, "Lavalleja, La Redención Patria" in: Revista Historica, Periodico del Museo Histórico Nacional, Año L - (2.ª época) 1 - Tomo XXV, Montevideo, Marzo de 1956 - Nos 73-75. p. 68

Imagem
Igreja de S. Francisco de Paula, Rio de Janeiro in: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Igr_lgo_s_francisco_rj.jpg


10 de maio de 2018

'El Barón de la Laguna y su Frase Favorita' (Antonio Pereira, 1893)


El Barón de la Laguna era un hombre seductor en toda la extensión de la palabra. 
Cualquiera que hubiera tenido ocasión de haberlo tratado, ó se hubiera acercado á él, era seguro que habría salido convertido en amigo suyo. 
Reunía condiciones especialisimas para atraerse á todas las personas; poseía un carácter bondadoso; tenia modales muy fínos y era en sumo grado atrayente; además que se le tenía por un consumado político.

En el tiempo que dominaron las fuerzas luzo-brasileras, después de la separación de estos últimos de la corona de portugal, cuando quedaron dueños y señores de este país, con el nombre de Provincia Cisplatina, el Barón de la Laguna quedó en el carácter de Gobernador, y por todos los medios trató de conquistarse á los hijos de esta tierra con sus corteses maneras, y particularmente á los que no había podido reducir por las armas.

Con aquella afabilidad característica suya, sedujo al General don Fructuoso Rivera y lo hizo servir bajo sus banderas. 

Lo hizo nombrar Capitán General de la campaña y le dio grados y honores, y tanto lo elevó, que fué Rivera, después de Lecor, la primer figura que sobresalía en la dominación brasilera. 

Y así como á Rivera, que después de haber batallado tanto contra la invasión extranjera como uno de los principales jefes de Artigas, sucumbió á la política astuta de Lecor y lo atrajo á sus filas, hubieron algunos más que se plegaron á los dominadores, pero fueron pocos.

Esto fué debido, más que á otra cosa, á la astucia del dominador, que con habilidad extremada, tendía las redes de tal modo, que caía en ella todo aquel que pudiese hacerle sombra, y de los más empecinados enemigos, sabía conquistarse adictos. 

Era, el Barón de la Laguna, en extremo práctico en las cosas de la vida, y estaba dotado su natural de una filosofía positivista en grado extraordinario ; sabia hacerse querer por todos, así es que mientras tuvo las riendas del Gobierno en sus manos, no dejó de manifestar su evidente empeño en hacer olvidar la conquista, que bajo pretexto de pacificación, se había apoderado de esta bella y rica región.

Así es, que bajo su Gobierno, la tolerancia no dejó de predonninar, y las relaciones se establecieron entre muchos orientales y brasileros, uniéndose algunos de éstos con hijas del país que los hicieron ligar más y más á esta tierra. 

Como hemos dicho, la táctica establecida para acapararse la buena voluntad de los orientales, dio en parte sus resultados, pues se captó á cierto número, que distinguió Lecor con buenos empleos y beneficios. Las famosas guerrillas que dieron bastante que hacer entonces, casi en su totalidad, eran compuestas de hijos del país, en donde se encontraban los Llerenas y otros. 

En la época aquella en que parecía que el do-minio extranjero se podía casi afirmar había sentado sus reales en el país, para no ser despojado de la usurpación, alguno de sus hijos que no habían querido doblegarse ante las huestes extranjeras, y conservaban ardiente en sus corazones el sagrado culto de la libertad, hostilizaban de todas maneras al usurpador y trabajaban con fe y ardor por sacudir el yugo opresor. 

Lecor era sabedor de ello, y tolerante como era, hacía vista ciega á sus trabajos, tal vez no dándoles mayor importancia, pues con los medios con que contaba el ejército de que disponía, se consideraba bien seguro.
Á más que tenía al General Rivera á su servicio, el único caudillo que creía podría hacerle sombra é intentar algo formal, por el prestigio que tenia en la campaña y por sus aptitudes personales. 
También las relaciones del Brasil con el Gobierno Argentino eran cordiales, al extremo que éste no sólo había tolerado la conquista de este país, sino que hasta en perseguidor se había convertido de los orientales patriotas, que tenían que vivir ocultos en donde creían haber podido encontrar refugio. 

El General Lavalleja, el jefe de los Treinta y Tres denodados patriotas, sufrió la prisión y reclusión de muchos años de aquel Gobierno, por reclamos de Lecor, y así como Lavalleja, el General Medina en Entre-Ríos fué preso y se le pusieron barras de grillos, y otros muchos más, sólo porque conspiraban contra el dominio extranjero y por la libertad de su país. . 

Lecor confiaba demasiado en la sinceridad del Gobierno Argentino, ó mejor dicho, el Brasil, y tarde le vino el desengaño. Es extraño que un hombre tan perspicaz, pudiera adormecerse con una política tan solapada como la que usaba aquel Gobierno, que aunque parecía leal, en su ánimo existía el deseo de que se libertase este país. 
Verdad es que el torrente de la opinión pública lo arrastraba á esto último, pues el pueblo argentino todo estaba de acuerdo en que era una ignominia que la Provincia Oriental estuviese en poder de los brasileros, y conspiraba con los Orientales para darle libertad y emanciparla del poder extranjero. 

Sabemos los resultados que esto dio, que fué el triunfo de la emancipación de este pais del poder extranjero, que tarde ó temprano tenia que suceder, pues no era posible que un pueblo que tantos sacrificios habla hecho por la libertad^ no sacudiera el yugo opresor. 
Entre las dotes que distinguían á Lecor, habia algo que lo hacía notable y era su carácter ocurrente. 
Entre muchas de sus frases, célebres aun hoy, se recuerda la que empleaba en infinidad de casos cuando había alguien que protestaba contra sus medidas, á lo que con mucha flema decía : 

«Protestas e caldo de galinha é o mesmo». 

Y otras veces decía : 
« Protestas e caldo de galinha no fazen mal a ninguem». 

El General Rivera le tomó mucho en su modo de ser á Lecor; fué un digno discípulo suyo, pues sus maneras y la suavidad de su política, en que predominó hasta cierto grado la tolerancia en todo, fué inspirada por el ejemplo que había dado Lecor durante su permanencia en el pais. 
Y aún muchas de sus ocurrencias eran tomadas en gran parte de aquél, á pesar de que ponía mucho de su parte, pues es innegable que poseía una inteligencia natural que verdaderamente sorprendía. 
Tan suave era Lecor, que aun ya pronunciada la revolución, no se hizo notable por medidas brutales contra los que en la ciudad misma trabajaban por su triunfo, y aunque eran estrictamente vigilados, podían comunicarse con los patriotas, y en aquella época, en que aun las mujeres mismas ponían manos á la obra de libertar la patria, otro más severo que Lecor, nada tampoco habría conseguido, pues que á un pueblo que quiere ser libre, no hay barreras que se le resistan ni diques que no rompa.

Fonte
PEREIRA, António N., Cosas de Antaño: Bocetos, perfiles y tradiciones interesantes y populares de Montevideo, Imp. El Siglo Ilustrado, Montevideu, 1893. pp.171-176

9 de maio de 2018

José Tomás Bocaciari


JOSÉ TOMÁS BOCACIARI nasceu em 1772, na freguesia do Loreto, onde residia muitos imigrantes italianos, em torno da Igreja dos Italianos. Sendo estudante, assenta praça e jura bandeiras a 21 de Outubro de 1792, na 1.ª companhia de granadeiros do Regimento de Infantaria de Lippe, futuro n.º1. Com 21 anos é reconhecido Cadete, a 6 de Outubro de 1793. De acordo com o livro mestre regimental, tinha 1 metro e setenta, cabelos loiros e olhos azuis.

A 1 de Março de 1797 é promovido a tenente da 4.ª companhia de infantaria da recém formada Legião de Tropas Ligeiras, com patente de 6 de Abril. Após participar na campanha de 1801, na área da Beira Baixa, é promovido a capitão da 7.º Companhia da Legião em 24 de Junho de 1802. 

A 26 de Março de 1805, é promovido a sargento mor e ajudante de ordens do 3.º marquês de Alorna, no governo de armas do Alentejo, juntamente como o tenente coronel Carlos Frederico Lecor. Em Abril de 1808, foge para a esquadra inglesa e terá ido para Inglaterra, de onde seguiu para ao Brasil. De acordo com o marquês de Fronteira, ambos os ajudantes de ordens terão conjurado para tentar convencer o seu general a fugir para a esquadra britânica.

Já no Brasil, a 21 de Março de 1809, é graduado em tenente coronel, adido ao Estado Maior do Exército. Pouco se sabe sobre o seu percurso até 1817.

Por volta de Junho de 1817, é promovido a coronel ajudante de ordens do novo capitão general da Bahia, o conde de Palma, D. Francisco de Assis Mascarenhas. Terá chegado a Salvador já em 1818.

Em 5 de Novembro de 1818, como coronel de cavalaria, é graduado a Brigadeiro com o exercício de ordens ao Governo da Bahia. A 13 de Maio do ano seguinte, é promovido a Brigadeiro efetivo.

Em 1821 está entre os oficiais que juram a constituição, e é feito prisioneiro a 15 de Novembro desse ano por estar envolvido nos eventos de 3 de Novembro, por ser do partido 'felisbertino', e enviado a Lisboa.

A 2 de Janeiro de 1822, após uma viagem de 48 dias para Lisboa, no bergantim Carvalho Sexto o então brigadeiro comete suicídio ao que tudo parece às 19 horas, lançando-se à água entre S. Julião e o Bugio, à entrada do Rio Tejo.

19 de abril de 2018

António e Jorge Lecor vão para a Artilharia (1789)


Mais uma pequena contribuição para o conhecimento da família Lecor, neste caso os dois irmãos mais novos de Carlos Frederico e os que primeiro entraram no Exército. Os elementos foram retirados do livro mestre regimental n.º 6 da Infantaria de Faro e referem a sua transferência para o regimento de Artilharia do Algarve, em função de serem declarados 'cadetes' de artilharia. Ao contrário da infantaria, onde eram declarados cadetes de facto, os 'cadetes' de artilharia estavam nas fileiras das companhias como praças e sargentos, até serem promovidos a patente, normalmente de 2.º Tenente.

O regimento de infantaria, apesar de se chamar de Faro, já há algum tempo que estava aquartelado em Tavira, a capital, então, do Algarve. Junto a ele funcionava a Aula Regimental, leccionada pelo tenente coronel José Sande de Vasconcelos.
Apesar de residirem em Faro, António e Jorge Lecor incorporaram-se ao regimento de infantaria, muito possivelmente para frequentar a referida aula, essencial para a carreira de um oficial de artilharia.

O decreto de 30 de julho de 1762, referido como a legislação sob a qual a transferência dos dois irmãos acontece, indica que o general local pode aprovar sem mais formalidades a transferência dos efetivos para a artilharia. Obedecia a uma tentativa de preservar a integridade da formação dos novos oficiais de artilharia.

Livro nº 6 - Livro de Assentamentos dos Oficiais e Praças do do Regimento de Infantaria de Faro, de 1788 a 1795. (PT/AHM/G/LM/B-14/06)

Soldados da 2.ª companhia do tenente coronel


[f. 63]

95  p.  
Antonio Pedro Lécor
idade: 19
5 pés 4 ½ polegadas [1,64 m]
cabelos louros
olhos azuis
De Lisboa
Solteiro
tempo do juramento: 10 Março 1788
Cazualidades: Passou para o Regimento de Artilharia deste reino. Baixa a 16 de julho de 1789.
Fiador: Voluntario. Filho de Luiz Pedro Lecór, fiador seu thio Antonio Pedro Bouiz [Buys]
Observações: Por ordem do do Marechal de campo Agostinho Janssen Moller, governador interino de armas deste reino, se lhe fez a passagem na conformidade do decreto de 30 de julho de 1762.

[f. 65]

95  p.  
Jorge Frederico Lécôr
idade: 17
5 pés 3 polegadas [1,60m]
cabelos louros
olhos azuis
De Lisboa
Solteiro
tempo do juramento: 10 Março 1788
Cazualidades: Passou para o Regimento de Artilharia deste reino. Baixa a 16 de julho de 1789.
Fiador: Voluntario. Filho de Luiz Pedro Lecór, fiador seu thio Antonio Pedro Bouiz [Buys]
Observações: Por ordem do  Marechal de campo Agostinho Janssen Moller, governador interino de armas deste reino, se lhe fez a passagem na conformidade do decreto de 30 de julho de 1762.

[Não localizei a certidão de batismo de Jorge Frederico, que calculo seja ou 1771 ou 1772, mas esta informação parece localizar o seu ano de nascimento em 1771.]

Fonte
Arquivo Histórico Militar

Imagem
Ponte romana, em Tavira.

11 de abril de 2018

Medalha do Barão da Laguna, ou de Distinção do Exército do Sul


Medalha de Distinção do Exército do Sul, também conhecida como Medalha do Barão da Laguna, dada por serviço em campanhas no sul do Brasil entre 1811 e 1824, foi criada pelo Império do Brasil a 31 de Janeiro de 1823 e regulada a 18 de Fevereiro do mesmo ano. Era conferida ao general em chefe e demais oficiais generais, oficiais, sargentos e praças que compõem o exército e esquadra, assim com aos empregados civis com graduação militar.

Desenho
Uma cruz de quatro braços iguais encimada pelo timbre da Casa de Bragança (um dragão alado); no centro da cruz, um círculo. Ouro para os oficiais generais; prata para os demais oficiais e metal branco ou estanho fino para as praças e empregados civis assemelhados.


Anverso: Em campo azul, um ramo de oliveira sobre o cerro de Montevidéu; na orla do círculo central, a palavra “MONTEVIDEO” e dois ramos; nos braços da cruz, a inscrição dos anos que cada agraciado estivesse em serviço na Cisplatina desde 1817. Um ano é só marcado no braço superior; dois vão nos braços laterais; 3 no superior e laterais; 4 em todos os braços; 5 nos quatros de um lado e no superior do outro e por aí adiante, sendo os braços vagos ocupados por rosáceas.
Reverso: Em campo verde, a legenda “PETRUS I.B.I.D.”, significando Petrus, Primus Brasiliae Imperator, Dedit (Pedro Primeiro Imperador do Brasil deu); na orla, uma coroa de louros.

Fita
Verde, com as bordas amarelas; sobre a fita, um passador de metal com o ano MDCCCXXII (1822).

Uso

Deveria ser usada no lado esquerdo do peito. Os oficiais generais podiam, nos dias de grande gala, usá-la ao pescoço.
De forma a ter direito ao uso, era requerido que o Barão de Laguna, Carlos Frederico Lecor (1764-1836) lhe houvesse expedido o título competente, por ele firmado e selado com o selo imperial do exército, indicando o nome da pessoa, a qualidade de metal de que deve ser feita e o ano ou anos em que foi merecida.

Fontes
- Regulação para a distribuição da Medalha de distincção (...), 18/2/1823, Conselho Supremo Militar.
- CMG Léo Fonseca e Silva (redator), Marinha do Brasil: Medalhas e Condecorações, Serviço de Documentação Geral da Marinha, Rio de Janeiro, 1983

Esta é a republicação de uma outra postagem no blogue Clio & Marte, que pode ver aqui.

28 de março de 2018

Apontamentos sobre a formação de oficiais de Artilharia no Algarve da década de 1790


A Aula Regimental do Regimento de Infantaria de Faro oferece-nos duas curiosidades. A primeira, e que pode causar mais confusões é que se localizava em Tavira, 40 quilómetros a leste de Faro, a capital política do reino dos Algarves dessa época. Na verdade, fácil de explicar, dado que o regimento de infantaria (que virá em 1806 a ser o n.º 14) se havia mudado em localização, em meados do século, mas não ainda, em 1793, em nome.
Dos quatro regimentos de artilharia que existiam nesta altura, Lisboa, Estremoz e Porto, apenas o da Guarnição do Algarve não tinha a aula junto ao regimento.

Descentralização do RAGA

Na verdade, é por isto que Carlos Frederico, decidindo-se alistar, obteve um posto em Tavira ou perto, de forma a frequentar as aulas do Coronel José de Sande Vasconcelos. Entrou como Soldado Pé de Castelo no Forte de São João do Registo da Barra de Tavira, em Cabanas de Tavira. Durante os seis meses que Lecor prestou serviço no Forte, tendo atingido o posto de sargento, também frequentava a aula regimental, de forma a preparar-se para exames de acesso ao oficialiato. 

Carlos Frederico assentou praça de voluntário e jurou bandeiras, perante um oficial do Forte de S. João, (guarnição), e o capelão, a 13 de Outubro de 1793, exatamente quando se iniciava o período letivo na aula do Coronel Sande de Vasconcelos, a poucos quilómetros. 

Quatro dias por semana, com descanso à quarta-feira, Carlos e os seus camaradas do regimento e de outros fortes das redondezas, aprendiam, numa sala da vários níveis de desenvolvimento, os princípios matemáticos teóricos e retirar, como dizia o Conde de Lippe, vinte anos antes, aprender “a arte de tirar de um pequeno número de factos conhecidos consequencias geraes para os factos incognitos”. No Inverno, as aulas eram das 9 ao meio-dia, no Verão, das 8 às 11 horas. Com alguma preparação matemática que a sua educação burguesa lhe ofereceu, principalmente sendo filho de um pedagogo, e criado no seio de famílias de homens de negócios, comerciantes de grosso, é certo que a primeira matéria do curso, a Matemática, não deve ter oferecido ao jovem soldado grande dificuldade.

Adicionar legenda
O Novo curso de Mathematica para uso dos officiaes Engenheiros, e Artilheria foi originalmente escrito em 1725 por Bernard Forest de Bélidor (1698-1761), tendo sido atualizado, se não em outras ocasiões anteriores, em 1757, quatro anos antes de Mr. Bellidor falecer, em 8 de setembro de 1761. 
Mais do que simplesmente um manual de Matemática, era feito especificamente para artilheiros e engenheiros, com aplicação militar direta. A sua tradução em português, feita pelo capitão Manuel de Sousa, veio em 1764, um ano após o decreto que regulamentou as aulas regimentais, assim como os exames de acesso. Nas aulas regimentais, o ‘curso mathematico de Belidoro’ é constantemente citado como a base da instrução de um oficial de artilharia do início de 1790, que poderia depois, completado ‘o estudo dos dezasseis livros de Bellidor’, especializar-se em fortificação, minas, arquitetura, engenharia.

Aos sábados, em período letivo, os cadetes, de todas as patentes, conforme o tempo de serviço – anspeçadas, cabos de esquadra, sargentos –, iam para o campo realizar exercícios de campo, onde as teorias da semana eram explicadas e experimentadas.


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Contactem-me nos comentários, para bibliografia, que a tenho presente em qualquer altura.

Leia também
- O APELO D'ARMAS, OU UMA FAMÍLIA DE PORTUGUESES NO INÍCIO DAS GUERRAS REVOLUCIONÁRIAS
- Lecor aluno universitário na Real Academia de Marinha (1794-1795)

Imagem ao topo
Pormenor da fortaleza de S. João da Barra de Tavira, em Cabanas de Tavira.