25 de junho de 2008

Unidades de Lecor II - Esquadra da Bahia (1795/1796) - 1.ª Parte


O comércio do Brasil sempre foi de enorme importância para Portugal, e a carreira atlântica precisava de ser protegida, principalmente após a aliança de Espanha com a França, no final da campanha do Roussilhão (1793-1795), aliança essa, feita pelos espanhois à margem dos seus aliados portugueses. Os barcos franceses e espanhois representavam uma ameaça constante aos navios de comércio. A Armada portuguesa tinha então a responsabilidade de proteger a rota comercial.

Assim, a 25 de Dezembro de 1795, parte de Lisboa com rumo à Bahia uma frota com a missão de proteger cerca de 23 navios de comércio. O comando, sediado na Nau Capitânea ‘Príncipe Real’ [na imagem, quadro do Museu da Marinha], estava a cargo do tenente-general Bernardo Ramires de Esquível. Entre os navios desta frota, contavam-se os seguintes:

Naus:
Príncipe Real (90 peças – guarnição: 904)
Infante D. Pedro (64 peças – guarnição: 557)
Vasco da Gama (74 peças – guarnição: 652)
D. Maria I (74 peças – guarnição: 616)
Princesa da Beira (74 peças – guarnição: 544)

Fragatas:
Minerva
Princesa
Ulisses
Tritão
Vénus
Thétis

Bergantins:
Serpente
Falcão

Apesar de haver sido criado um Regimento de Artilharia da Marinha, em finais de 1791, os 4 regimentos de artilharia continuavam a fornecer destacamentos para servir embarcados. É assim que do Regimento de Artilharia do Algarve parte um destacamento de 130 homens, onde se incluía o 1.º Tenente Carlos Frederico Lecor, da 9.ª companhia de artilheiros. Dois meses antes, o tenente-general Bernardo Esquível pedia, com urgência, ao Secretário de Estado da Marinha tal destacamento para a nau ‘Príncipe Real’ que lhe assegurava ter dado já as ordens. Os preparativos desta enorme força estavam já a decorrer em força.

Com uma data de partida para 28 de Novembro, que acaba por não ser cumprida como já referi em cima, uma carta do Conde de S. Vicente indica claramente qual a missão:

“3. A obrigação desta esquadra será de dar comboio a todos os navios de comércio nacional, que acharem prontos a partir até ao dito dia, levando-os sempre em sua conserva athe aquella altura que o Comandante julgar conveniente, e os reputtar livres de todo o risco de enemigos”.

O Secretário de Estado recomenda expressamente que a frota não se retenha por nenhum objecto, “qualquer que elle seja”, e que se dirija em direitura para a Bahia.

2 comentários:

João Torres Centeno disse...

Vejo que pouco a pouco cresce a informação.
Vamos ter uma biografia de Lecor em cheio.
Pena que não haja uma bela gravura ou pintura deste general.
J Centeno

mch disse...

Muito interessante o seu site. Este género de memórias é indispensável para recriar a história e interpretá-la

Sabe que tenho materiais reunidos para escrever as campanhas do uruguay?
Estive em serviço em Montevideu e delá trouxe coisas uruguaias e brasileiras. Lecor é central para eles., naturalmente.
Tempo é que me fenece
Saudações
mendo henriques