25 de setembro de 2008

Heroi Rio-grandense

O caro leitor já não se lembra, decerto, mas num dos primeiros posts [Heroi Brasileiro] que coloquei neste modesto blogue, a 18 de Março desta ano, apresentei um pequeno passo de um poema épico acerca da independência do Brasil, especificamente acerca de Lecor e da sua participação no eventos militares que consagraram um Brasil independente.

Desta feita, fora do domínio estritamente épico, na pena de uma senhora rio-grandense, cega de nasceça, D. Delfina Benigna da Cunha, eis que encontro mais um pormenor poético dedicado ao nosso heroi, Carlos Frederico Lecor. Um soneto - nada mais - dedicado ao nosso tenente-general:

SONETO

Por occasiaõ da nomeação do Visconde de Laguna
para General em Chefe do Exercito do Sul

Rio Grande, és feliz, Lecór famoso,
O grande General, o sabio, o forte,
Brandindo a sua espada, qual Mavorte,
Vai injurias vingar, vai ser ditoso.

Ressachando o inimigo temeroso,
Ganhará da victoria a honrosa sorte;
E tu, que o amor de Pedro tens por norte,
Exulta de prazer, Rio caudoso.

Elle te dá no Heróe potente e justo
Escudo impenetravel contra o crime.
Desterra, Patria minha, a dôr, o susto;

Dize d'hum grito só, que tudo anime:
Viva Pedro immortal, Inclito, Augusto;
Viva o grande Lécor, homem sublime.

In: Poesias Offerecidas às Senhoras Rio-grandenses por sua patricia D. Delfina Benigna da Cunha, Typographia Austral, Rio de Janeiro, 1838 - p. 139.

Resta saber, no entanto, a qual das duas nomeações de Lecor a D. Delfina se refere. Se a primeira, a 11 de Abril de 1826, ao início da Guerra da Cisplatina, entre o Brasil e a Argentina, se a segunda, na parte final da mesma guerra, a 18 de Julho de 1827 (Lecor só toma posse do cargo em Janeiro de 1828; a guerra acaba em Outubro).

Calculo que se refira à primeira nomeação, muito embora a segunda não tenha provocado menos emoção e esperança entre os Rio-grandenses, desesperados como estavam com a condução da guerra por Barbacena.

De notar, em tom de guerrilha pró-lecoriana, que poucos autores referem que Lecor foi, por duas vezes, comandante das forças brasileiras na Guerra da Cisplatina; quase nenhum autor refere mesmo que ele foi o comandante ao final da guerra. Nada que me impressione já, pois o próprio Carlos Frederico era exemplo de humildade política, ao contrário de outros generais da altura, que combatiam mais com o Rio de Janeiro à vista, em vez do inimigo...

2 comentários:

João Torres Centeno disse...

E falando da Cisplatina e herois do Rio -Grande, acabo de colocar a espada do Conde do Rio Pardo no blog. Onde estará a espada de Lecor, bem como as suas condecorações e medalhas?

João Centeno

Jorge Quinta-Nova disse...

Caro João,

De acordo com o general Paulo de Queiroz Duarte, 3 espadas que pertenceram ao Marechal Lecor foram compradas em leilão judicial de 31 de Agosto de 1866 (após o falecimento da sua esposa D. Rosa) por Caetano José de Paiva, no Rio de Janeiro.
Foram avaliadas, à altura, em 3$000.

Quanto às condecorações, nada sei do seu destino. Só sei que não foi sepultado com elas.

Jorge Quinta-Nova