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2 de junho de 2019

Iconografia Lecoriana

Aqui apresento um pequeno historial da iconografia relativa ao marechal Carlos Frederico Lecor, que tenho encontrado na rede mundial de computadores, com algumas observações acerca das suas origens.

(1) Brigadeiro Carlos Frederico Lecor (Desenho original de Francisco Bartolozzi da Col. de A.P.) Publicado em : Ângelo Pereira, D. João VI Principe e Rei, Volume III: A independência do Brasil, Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa, 1956. p. 112


(2) Gravura de autor desconhecido, representando Lecor no Rio de Janeiro, muito possivelmente em 1816. Publicado em: DUARTE, Paulo de Queiroz, Lecor e a Cisplatina 1816-1828 ( 3 vv.), Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército Editora, 1984.

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..:: Retrato (1821-1823) ::..

(3) Retrato a óleo, autor desconhecido, Museu Histórico Nacional (Montevideu). Dato a partir de 1821 o retrato, pois o militar usa a banda da Grã Cruz da Ordem da Torre e Espada, que recebeu por decreto de 15 de Novembro de 1820.
Apesar de o general Paulo de Queiroz Duarte aventar que o autor fosse o pinto Miguel Benzo, parece difícil ser esse o caso, tendo outras fontes apontado o pintor Joseph Guth, sueco, que estava na região por esta altura.

(4) Gravura de A. Samson, 1976, com base no retrato a óleo do MHN. Publicado em: DUARTE, Paulo de Queiroz, Lecor e a Cisplatina 1816-1828 ( 3 vv.), Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército Editora, 1984.

(5) Gravura de Ivan Wasth Rodrigues, c. 1984, com base no retrato a óleo do MHN. 
Publicado em: DUARTE, Paulo de Queiroz, Lecor e a Cisplatina 1816-1828 ( 3 vv.), Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército Editora, 1984.

(6) Gravura de autor desconhecido, de uma miniatura existente no Museu Historico Nacional de Montevideu. 
O uniforme (e condecorações) portuguesas indicam que tenha sido feito antes de 1824. Publicado em: Hermano Damasceno, Ensayo de Historia Patria (10.ª Ed.), Barreiro y Ramos, Montevideu, 1955. p. 387

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..:: Retrato (Época "brasileira") ::..


(7) Visconde da Laguna (Gen.l Lecór), Carlos Frederico Lecor. 
Parece ser a representação fotográfica de um quadro a óleo, com o general em uniforme brasileiro, cuja localização e autor desconheço (tendo já sido aventada algures a possibilidade do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro). Foi pintado após 1824. 
Publicado em: Anais da Biblioteca Nacional, Volume 88, 1968, Divisão de Publicações e Divulgação, Rio de Janeiro, 1970, entre as páginas 64 e 65, sem qualquer informação de origem.

As ordens e condecorações no retrato, predominantemente portuguesas, datam o retrato de entre 1820 e 1823. O uniforme parece ser também o português, pelo que foi pintado antes da independência do Brasil, ou nos meses posteriores em 1822.

(8) Carlos Frederico Lecor, General Visconde da Laguna
Desenho de José Wasth Rodrigues (1891-1957) segundo fotografia de quadro a óleo cedida pelo Comte. Luís (?) Alexandre Mateus [a (7)]. 

Publicação desconhecida. Parece baseada no quadro a óleo anterior, mas tens ordens diferentes representadas: ao pescoço em gravata, a Medalha de Distinção do Sul, do Império do Brasil, criada em 1823, e a placa de oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, criada em Dezembro de 1822.

(9) Gravura de autor e proveniência desconhecida, mas decerto baseada no mesmo quadro a óleo referido para a gravura anterior.


(10) Gravura de autor e proveniência desconhecida, mas decerto baseada no mesmo quadro a óleo referido para as gravuras anteriores.

É de notar que nas três reproduções do retrato da época "brasileira", todos os artistas desenham incorrectamente a medalha no peito direito, que é de facto, e como se pode ver na representação fotográfica inicial, a Medalha de Comando portuguesa relativa a quatro ações da Guerra Peninsular. Tendo a mesma base (o retrato (7)), mas atualizado para incluir medalhas brasileiras que Lecor recebeu posteriormente.

Não será de excluir porém que haja um terceiro retrato a óleo em vida de Carlos Frederico Lecor, mas as semelhanças e posição do retratado parecem-me evidentes.

26 de maio de 2009

Retrato, autor desconhecido


Encontrei este retrato do Marechal Carlos Frederico Lecor, no sítio da "Uruguay Educa", portal educativo [visite aqui]. É um Lecor mais velho, decerto após 1824 (tendo em vista o uniforme imperial brasileiro, a Imperial Ordem do Cruzeiro no peito e a Medalha da Cisplatina - a do Barão da Laguna, como também é chamada - em torno do seu pescoço). Não há outra informação acerca da fonte se não esta: Archivo Nacional de la Imagen, SODRE (Servicio Oficial de Difusión Radiotelevisión y Espectáculos).

Nota (31.7.09) - É de 1824 a primeira organização do Imperial Exército e, salvo erro, os uniformes e insígnias.

29 de abril de 2008

Gravura II

Após muitas palavras, é sempre interessante observar imagens do homem a que se dedica este blogue, aqui substancialmente mais novo que nas duas anteriores. Mais parecendo, na verdade, do que sendo, pois entre esta gravura e o quadro a óleo a dois posts de distância (Miguel Benzo) não vão mais de 8 anos.

Esta gravura, de Francisco Bartolozzi (1728-1815, um dos mais brilhantes retratistas da altura) é de Carlos Frederico Lecor enquanto Brigadeiro, posto a que ascendeu a 8 de Maio de 1811, com a idade de 46 anos.

Lecor era nessa altura uma estrela em ascensão no Exército Português, com uma divisão comandada na Ponte de Murcela, nos dias de 28 de Setembro de 1810, enquanto uns poucos quilómetros ao Norte se escreviam lindas e mortíferas páginas de glória; e outra divisão, guarnecendo a extrema direita da 1.ª Linha de protecção da península de Lisboa (as afamadas Linhas de Torres).

Sobre Francisco Bartolozzi, encontrei o catálogo de uma exposição organizada pela Sociedade Martins Sarmento e a Casa de Sarmento, em Agosto e Setembro de 2004, denominada "Francesco Bartolozzi e os seus discípulos". Está aqui e merece sem dúvida uma visita.

Não consigo agora trazer da minha memória quem me forneceu esta imagem, ou qual a sua fonte, mas só espero ter-lhe dado o devido mérito.

Bem, aparentemente não há como contornar as palavras; portanto, há que deixá-las fluir...

28 de abril de 2008

Gravura

Esta gravura, da autoria de José Wasth Rodrigues, com base numa fotografia de um quadro a óleo de colecção privada, mostra um Carlos Frederico Lecor mais velho, provavelmente no final da década de 1820, inícios da de 1830.

Apesar disso, claras são a grande maioria das condecorações e ordens que leva ao peito, se bem que abro espaço de discussão aqui:

Suspensas do pescoço:
- (por cima) Medalha de distinção da Cisplatina (ou do Exército do Sul) (também chamada Medalha do Barão de Laguna);
- (por baixo) Ordem Militar de Aviz

No peito esquerdo:
- Ordem do Cruzeiro (Império do Brasil);
- Ordem de Aviz (presumo que a versão brasileira);
- Ordem da Torre e Espada (Portugal).
- (suspensa) Cruz da Guerra Peninsular.

No peito esquerdo:
- Desconhecida (muito provavelmente uma medalha espanhola com relação a alguma das batalhas em que Lecor participou).

De qualquer forma, aqui fica mais uma imgem do militar com uma pose mais intimista, onde se nota uma espécie de sorriso.

23 de março de 2008

Morreu Ivan Wasth Rodrigues


O grande ilustrador histórico brasileiro, Ivan Wasth Rodrigues, faleceu no passado dia 20 de Dezembro de 2007. Sobrinho do também ilustrador José Wasth Rodrigues, Ivan nasceu em São Paulo em 1927.

Entre a sua obra, destaca-se a ilustração da História do Brasil I e II e Casa Grande e Senzala, ambas editadas pela EBAL.

Para mim, mais do que o nome que invariavelmente vejo associado a todas as ilustrações do Exército Brasileiro, seja o colonial, seja depois o Imperial, é o homem que me forneceu muita da visualização de Carlos Frederico Lecor e das tropas que ele comandou do Rio de Janeiro a Montevidéu, passando pela marcha de Sta. Catarina à fronteira do sul. Sou-lhe particularmente grato pelas ilustrações do livro do General Queiroz de Duarte, Lecor e a Cisplatina.

Deixo-vos um exemplo da obra deste grande ilustrador (Soldado de Caçadores, 1816, em cenário tropical, in: Lecor e a Cisplatina - volume I) que deixará decerto saudade, mas também um conjunto artístico que ficará para o futuro. Quem sabe o público português possa ter um maior acesso à obra deste excelente artista.